Amigos de Deus

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A ideia da amizade divino-humana originou-se com Deus. Se Deus não dissesse primeiro, “Vós sois meus amigos”, seria imperdoavelmente precipitado qualquer homem dizer, “Sou amigo de Deus”. Mas, já que Ele nos considera Seus amigos, será um ato de incredulidade ignorar ou rejeitar o relacionamento.

A nossa amizade com Deus pode ter graus, indo do formal até ao íntimo. Todos conhecemos pessoas às quais chamamos amigos, mas cuja amizade é tão frágil e tênue que quase não aguenta nenhuma tensão sem se romper. E existem amigos, poucos em geral, cuja amizade foi provada pelo fogo de uma longa experiência e que seria quase impossível destruir.

Mesmo sendo radicalmente diversas uma da outra, duas pessoas podem usufruir a mais estreita amizade por toda a vida; pois não é requisito da amizade que os participantes sejam semelhantes em todas as coisas; basta que sejam semelhantes nos pontos em que as suas personalidades sejam mutuamente afetadas. Harmonia é semelhança nos pontos de contato, e amizade é semelhança onde os corações se fundem.

Por esta razão, toda a ideia da amizade divino-humana é bastante lógica e inteiramente crível. O Deus infinito e o homem finito podem fundir as suas personalidades na mais terna, na mais satisfatória amizade. Nessa relação não há ideia de igualdade; unicamente de semelhança onde o homem encontra o coração de Deus. Embora Deus seja perfeito e o homem imperfeito, a amizade entre ambos é possível, pois é o próprio Deus que capacita o homem para desfrutar desse relacionamento.

Apesar de nossas fragilidades humanas, podemos crescer na graça e mover-nos progressivamente rumo a uma união experimental com Deus mais perfeita. Podemos realizar isso mediante firme disciplina pessoal, obediência pronta, oração incessante, total desapego do mundo e exercício de robusta fé nas verdades reveladas nas Escrituras Sagradas.

Deve-se assinalar que nenhuma verdade revelada é automaticamente eficaz. O efeito que qualquer verdade produz em nós depende da nossa atitude para com ela. Primeiro é preciso que seja aceita com fé ativa e recebida por nossas mentes como completamente digna de confiança e fora de discussão. Ela deve tornar-se uma espécie de corante para dar colorido a todo o nosso pensar e às nossas orações.

Quanto mais perfeita for a nossa amizade com Deus, mais simples serão as nossas vidas. Aquelas formalidades tão necessárias para manter viva uma amizade podem ser dispensadas quando amigos verdadeiros sentam-se na presença uns dos outros. Os verdadeiros amigos confiam uns nos outros.

Há grande diferença entre ter “companhia” e ter um amigo em casa. O amigo podemos tratar como membro da família, mas à companhia temos de oferecer entretenimento.

Deus não ficará satisfeito enquanto não houve entre Ele e os Seus uma descontraída informalidade que não requer estímulo artificial. O verdadeiro amigo de Deus pode sentar-se em Sua presença e ali ficar longos períodos em silêncio. Confiança completa não precisa de palavras de segurança. Estas já foram pronunciadas há muito tempo e o coração do adorador pode ficar em silêncio diante de Deus, sem nenhum perigo.

Inquestionavelmente, o mais alto privilégio concedido ao homem na terra consiste em ser admitido no círculo dos amigos de Deus. Nada é suficientemente importante para se deixar que fique no caminho da nossa relação com Deus. Não há nada no céu, na terra ou no inferno que possa separar-nos do amor de Deus; devemos cuidar para que nada na terra nos separe da amizade de Deus.

(Baseado em texto de A. W. Tozer, extraído do livro "Esse Cristão Incrível", da Editora Mundo Cristão.


Reflexão em grupo

Imagine duas situações incômodas.

1ª Situação: Você decida permanecer 1 (uma) hora em oração, trancado em seu quarto. Provavelmente, depois de 30 minutos, você já terá orado por sua vida, de seus familiares, pela igreja, missionários, colegas de trabalho, vizinhos, políticos e até pelas vítimas do tsunami no Japão. Enfim, já terá orado por tudo! Aí, ficará um pouco preocupado ao perceber que ainda precisa arrumar assunto para orar mais 30 minutos!!!

2ª Situação: Sua esposa resolve convidar uma colega de trabalho para jantar em sua casa. O problema é que a mulher traz o marido, que você não conhece. Enquanto as duas ficam conversando animadas na cozinha, você é obrigado a fazer sala para o ilustre e tímido desconhecido. Depois de 15 intermináveis minutos puxando assunto (futebol, política e economia), você finalmente resolve ligar a televisão...

Perguntas

  1. O que essas duas situações incômodas têm em comum?
  2. Na sua opinião, os períodos de oração da maioria dos crentes se assemelha ao da 1ª situação?
  3. Como são os seus períodos de oração? Você tem se relacionado com Deus como amigo, ou como desconhecido?
  4. Que sugestões o A. W. Tozer nos dá para desenvolvermos uma amizade mais profunda com Deus?

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Amigos ...

Que deus o evangélico brasileiro criou? E falo do brasileiro nos últimos 50 anos, que criou uma porção de deuses em um cristianismo que variou dos radicais puritanos ultra-conservadores aos profissionais da fé. Em todos estes setores o temor ao senhor sempre foi usado como uma forma de manipulação das lideranças e pintando um quadro de um deus que exige toda a formalidade de uma suprema corte. 

E agora Pr. Flávio, onde entra este Deus amigo, que não exige as prerrogativas de um ministro ou chefe de estado?

Depois de tanto tempo colhendo as migalhas que caem da mesa , teme-se tomar assento ao lado de Quem tanto temeu-Se.

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Olá Anônimo! Realmente, a

Olá Anônimo!

Realmente, a Igreja, não apenas a evangélica dos últimos 50 anos, mas também a Católica, a Ortodoxa e a Protestante, ao mesmo tempo em que tentam enfatizar, na sua literatura, a importância de um relacionamento verdadeiro com Deus, acabam se perdendo em detalhes. Alguns se perdem na eterna busca por uma teologia perfeita, outros na busca por uma liturgia perfeita, outros na busca de bênçãos etc. Enquanto isso, os fieis acabam se distraindo nessas buscas e perdem o essencial: contemplar a face maravilhosa do seu Deus e Amigo.

Mas gostaria que você prestasse atenção a uma frase do texto: "Embora Deus seja perfeito e o homem imperfeito, a amizade entre ambos é possível, pois é o próprio Deus que capacita o homem para desfrutar desse relacionamento."

Realmente, Deus não exige prerrogativas de um ministro ou chefe de estado. Mas, por outro lado, Ele exige, de seus amigos, uma condição humanamente impossível de ser alcançada. Exige que seus amigos sejam santos, misericordiosos e perfeitos, exatamente como Ele é:

  • Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, 
    (I Pedro 1:15)
  • Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso". (Lucas 6:36)
  • Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês". (Mateus 5:48)
  • Falo isso em termos humanos por causa das suas limitações humanas. Assim como vocês ofereceram os membros dos seus corpos em escravidão à impureza e à maldade que leva à maldade, ofereçam-nos agora em escravidão à justiça que leva à santidade. (Romanos 6:19)

Nenhum homem, por mais que tente, consegue alcançar requisitos ESSENCIAIS a um relacionamento verdadeiro com Deus. Exatamente por saber da incapacidade humana é que o próprio Deus se fez homem, para nos salvar. Deus se fez homem, para que nós pudéssemos participar da sua natureza divina (2 Pedro 1:4).

A amizade entre o homem e Deus é perfeitamente possível, desde que o homem participe da mesma natureza de Deus. E isso só ocorre com aqueles que estão em Jesus Cristo, o Filho do Homem e Filho de Deus. Ele é o único caminho até o Pai, e "Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:12).

 

Pr. Flávio Cardoso.

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