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Os que têm fome e sede de justiça

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"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" (Mateus 5:6)

Todos nós já experimentamos a fome e a sede. O nosso ser se mantém por um processo de digestão. Os alimentos são digeridos e transformados em vários elementos que são transferidos para as bilhões de células do nosso corpo, transformados em energia para o funcionamentos dos órgãos. Uma pessoa que não sente fome e nem sede apresenta alguma enfermidade e terá conseqüências graves para o seu organismo, chegando até a morte.

Jesus faz uma comparação muito interessante sobre essa bem-aventurança. Ele compara a fome e a sede do nosso corpo com a fome e a sede que de justiça que devemos ter. Na linguagem figurada, justiça é o alimento espiritual que o cristão precisa ter e desejar. A falta de apetite por justiça é um sinal de que há enfermidade espiritual. Mas, de que Justiça Jesus está falando nessa bem-aventurança?

Há dois tipos de justiça que encontramos na Bíblia:

  1. A que Deus nos dá quando cremos em seu filho. Jesus se torna nossa justiça e santificação por um ato de graça divina. Essa justiça é segundo a fé, nunca merecida, nem paga pelas boas obras que tenhamos realizado. (Romanos 4:3-5; Gênesis 15:6); e
  2. A justiça implantada, o fruto do Espírito, juntamente com todas as evidências do amor de Deus enraizadas no coração do homem de Deus. A fome que surge como fruto da presença de Deus em nós (I Pedro 2:2-3).

Os judeus construíram ao longo dos anos um conjunto de leis que lhes proporcionava uma falsa sensação de merecedores dos favores de Deus. Enquanto a justiça judaica punia, a de Deus pretendia redimir, sob a longanimidade de Deus. No Sermão, Jesus mostra que a justiça dos discípulos deve exceder em muito a dos escribas e fariseus (Mateus 5:20). Jesus menciona três práticas justas: dar esmolas aos pobres, orar e jejuar (Mateus 6:1-18). Em momento algum Jesus condena essas ações, mas questiona a motivação do coração.

Ajuda aos necessitados:
Tiago nos lembra que a verdadeira religião pura e imaculada seria a de ajudar aos órfãos e viúvas e não nos corrompermos pelo mundo (Tiago 1:27). Porém, Paulo traz em I Coríntios 13:3 que mesmo a distribuição de todos os seus bens em prol do outro não teria validade alguma a não ser que existisse atitude de amor e nunca de autopromoção (Mateus 6:1-4). Essa ajuda deve existir baseada em uma alma cheia de compaixão genuína;
Oração:
a oração pode ser enquadrada na justiça que Deus espera da nossa parte. Em Mateus 6:5-14, Jesus traz um modelo de oração, no qual colocamos o seu reino em primeiro lugar. Faz-nos negarmos a nós mesmos e passarmos a Deus toda a glória devida;
Jejum:
em Mateus 6:16-18, o jejum é englobado como ato de justiça, mas não o que se desfigura, porém o que é feito por amor ao Senhor. Jesus foi levado ao deserto, onde ficou 40 dias em abstenção de alimentos, apenas para agradar a Deus (Lucas 4:1-2).

Enfim, em todos esses momentos Jesus estava querendo mostrar que a motivação que existia no coração dos fariseus era tão somente de se mostrarem santos e que com isso a admiração do povo recaía sobre eles, o que lhe dava abertura para manipular as leis. Essa já era a sua recompensa, a recompensa de homens e não divina. Não é essa que estamos desejando, não é mesmo?

Watson apresenta sete sintomas dos que não sentem fome e sede de justiça. São eles:

  1. a alma, justa aos seus próprios olhos, fica ensoberbecida com sua própria justiça imaginária (Romanos 10:3);
  2. o amor ao mundo e aos seus deleites enche o coração (I João 2:15-17);
  3. as pessoas estão demasiadamente sonolentos para "comer";
  4. as pessoas estão cansadas com as atividades mundanas e não têm mais fome do alimento espiritual;
  5. preocupação maior com os enfeites exteriores do que com a substância;
  6. pessoas levam mais a sério diversões e jogos do que a justiça; e
  7. as discussões e controvérsias ocupam o palco e a prática é esquecida.

Ivênio apresenta conseqüências da violação dessa bem-aventurança:

Estagnação na vida cristã:
em Hebreus 5:11-14, Paulo traz uma triste realidade vivida por muitos cristãos que estão há bastante tempo na igreja. São pessoas imaturas, levadas por qualquer vento de doutrina, que se magoam com muita facilidade, que não conseguem viver a forma simples do evangelho;
Perda de interesse:
pelos cultos, pela comunhão, pelo estudo da palavra;
Religiosidade aparente:
tentam mostrar um certo status espiritual, porém geralmente se tornam legalistas, estabelecendo regras para os outros;
Profissionalismo pastoral:
tem apenas como objetivo a manipulação de outros e nunca a santidade; e
Irresponsabilidade social:
"aquele que luta por justiça social ou por uma causa justa sem ter ele próprio fome e sede de ser justo, certamente se tornará um demagogo, usará armas igualmente opressoras para atingir os seus fins, tornando-se mais injusto que os seus opressores. O que normalmente acontece com esses é uma alienação com a injustiça social que os rodeia, sem importar-se com nada que os atinja. Muitos só despertam para as injustiças sociais quando os atinge e usam armar erradas movidas tão somente por interesse próprio ou por desejo de vingança."

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A anemia espiritual tem sido um dos maiores males que temos encontrado nas nossas igrejas, porque tem gerado cristãos doentes e mostrado ao mundo que não vale a pena seguirmos a essa palavra tão maravilhosa. Quero deixar nessa lição o conselho de Paulo a Timóteo quando escreve em I Timóteo 4:7-8: "Exercita-te pessoalmente na piedade. Pois, o exercício físico para poucos é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa porque tem a promessa da vida que agora é e que há de ser".

Não podemos deixar de lado Mateus 7:24-27, quando Jesus, no final do seu sermão, nos ensina a construirmos a nossa casa sobre a rocha, que é a palavra de Deus. Estamos com um grande desafio, mas sejamos sinceros e corajosos no que precisamos mudar e seguir.
Deus nos oriente nessa caminhada!!! Amém.

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