A importância da autocrítica

imagem de Flávio Cardoso
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DIFICILMENTE alguma outra coisa revelará igualmente bem o medo e a insegurança dos homens como a distância a que irão para esconder dos outros, e até mesmo dos seus próprios olhos, o seu verdadeiro ser.

Quase todos os homens vivem, da meninice à morte, atrás de uma cortina semi-opaca, saindo dali somente quando forçados por algum choque emocional, e depois se retirando tão depressa quanto possível para o seu esconderijo outra vez. Resulta dessa dissimulação, que dura a vida inteira, que raramente as pessoas conhecem os seus semelhantes como realmente são e, pior que isso, a camuflagem é tão eficiente que muitos não se conhecem bem nem a si mesmos.

O autoconhecimento é-nos tão criticamente importante em nossa busca por Deus e Sua justiça, que ficamos sob a pesada obrigação de fazer imediatamente tudo que for preciso para tirar o disfarce e permitir que o nosso verdadeiro ser seja conhecido. Uma das maiores tragédias da religião é que tantos de nós têm a si próprios em tão alta estima, quando a prova pende totalmente para o outro lado; e a nossa admiração por nós mesmos impede efetivamente qualquer esforço possível para descobrirmos um remédio para a nossa condição. Só o homem que sabe que está doente procurará o médico.

Agora, o nosso verdadeiro estado moral e espiritual só pode ser descerrado pelo Espírito e pela Palavra. O julgamento final do coração compete a Deus. Há um sentido em que não nos atrevemos a julgar-nos uns aos outros (Mateus 7:1-5), e em que não devemos sequer tentar julgar-nos a nós mesmos (1 Coríntios 4:3). O julgamento último pertence Àquele cujos olhos são como fogo chamejante e que vê tudo completamente através dos feitos e dos pensamentos dos homens. Por mim, alegra-me deixar com Ele a palavra final.

Não obstante, há lugar para o julgamento próprio e real necessidade de que o exerçamos (1 Coríntios 11:31-32). Apesar de que provavelmente a descoberta de nós mesmos não será completa, e o nosso autojulgamento quase certamente será preconceituoso e imperfeito, há, todavia, todos os bons motivos para trabalharmos junto com o Espírito Santo em Seu benigno esforço para situar-nos espiritualmente, a fim de fazermos as emendas que as circunstâncias exigirem. Que Deus já nos conhece completamente, é certo (Salmo 139:1-6). Resta-nos conhecer-nos a nós mesmos tão exatamente quanto possível. Por esta razão, ofereço algumas regras para o autoconhecimento; e se os resultados não forem tudo que poderíamos desejar, poderão ser ao menos melhores que nada. Podemos conhecer-nos pelos seguintes pontos:

1. O que mais desejamos

Só temos de aquietar-nos, reunir nossos pensamentos, esperar que a pequena agitação dentro de nós se acalme e, então, ouvir atentamente o débil clamor do desejo. Pergunte ao seu coração: O que você gostaria de ter preferencialmente a qualquer coisa mais no mundo? Rejeite a oração convencional. Insista na oração real e, quando a ouvir saberá a espécie de pessoa que você é.

2. Aquilo em que mais pensamos

As necessidades da vida nos impelem a pensar em muitas coisas, mas a prova real está naquilo em que pensamos voluntariamente. É mais que provável que os nossos pensamentos se agarrem ao tesouro secreto do nosso coração e, seja este o que for, revelará o que somos. "Onde está o teu tesouro, ali estará também o teu coração" (Mateus 6:21)

3. Como usamos o nosso dinheiro

Outra vez devemos ignorar aquelas coisas nas quais não somos inteiramente livres. Temos de pagar impostos e prover às necessidades da vida para nós e para a família, se tanto. Isso não passa de rotina e pouco nos fala acerca de nós mesmos. Mas o dinheiro, seja quanto for, com o qual fazemos o que nos agrada -- esse nos dirá de fato muita coisa. É melhor ouvi-lo.

4. O que fazemos com as nossas horas de lazer

Grande parte do nosso tempo é gasta para atender às exigências da nossa civilização, mas temos de fato algum tempo livre. O que fazemos com ele é vital. Muita gente o desperdiça vendo televisão, ouvindo rádio, lendo a chã produção da imprensa ou se entregando a conversação ociosa. O que eu faço com o meu tempo livre revela a classe de homem que sou.

5. A companhia de que gostamos

Existe uma lei de atração moral segundo a qual todo homem é atraído pelo grupo social mais parecido com ele. "Estando livres para ir-se, foram para os seus próprios companheiros." Para onde vamos quando estamos livres para ir aonde quisermos, é um quase infalível indicador de caráter.

6. Quem e o que admiramos

De há muito venho suspeitando que a grande maioria dos cristãos evangélicos, embora se mantendo um tanto na linha pela pressão da opinião do seu grupo, sem embargo tem uma imensa admiração pelo mundo, ainda que forçadamente secreta. Podemos aprender muito sobre o verdadeiro estado da nossa mente examinando as nossas admirações não expressas. Muitas vezes Israel admirava, e até invejava, as nações pagãs à sua volta, e assim esquecia a adoção, a glória, as alianças, a lei, as promessas e os pais. Em vez de censurar Israel, olhemos para nós mesmos.

7. O que nos faz rir

Ninguém que tenha o devido respeito à sabedoria de Deus, argumentará que há algo de errado com o riso, dado que o humor é um legítimo componente da nossa complexa natureza. Falta de senso de humor indica natureza não saudável.

Mas o exame que estamos fazendo aqui, não é se rimos ou não rimos, mas sobre o que nos faz rir. Algumas coisas ficam fora da esfera do puro e simples humor. Por exemplo, nenhum cristão reverente acha graça na morte, nem no nascimento, nem no amor. Nenhum homem cheio do Espírito poderá ser levado a rir das Escrituras Sagradas, da Igreja que Cristo comprou com o Seu sangue, da oração, da justiça, da tristeza humana e da dor. E certamente ninguém que esteve sequer um breve momento na presença de Deus, poderia alguma vez rir de uma narrativa que envolva a Divindade.

Aí estão umas poucas provas. O cristão sensato escontrará outras.

Extraído do livro Esse Cristão Incrível, de A. W. Tozer (Editora Mundo Cristão)

 


Sugestões para reflexão em grupo

Leia atentamente o texto acima, fazendo uma autocrítica baseado nas 7 provas propostas pelo autor. Deixe o Espírito Santo falar com você. Se você acha que precisa melhorar em alguma dessas provas, compartilhe com algum irmão do seu GV, e peça que ele ore por você.

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