A Bíblia é confiável?

imagem de Flávio Cardoso
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"A regra de conhecimento, fé e obediência, no que concerne à adoração e ao serviço a Deus, bem como todas as obrigações cristãs, não são invenções humanas, opiniões, desejos, leis, constituições ou quaisquer tradições orais, mas apenas a palavra de Deus contida nas Escrituras Canônicas. Nesta Palavra escrita, Deus revelou claramente tudo que entendeu necessário que soubéssemos, crêssemos e conhecêssemos, no que tange à natureza e ao ofício de Cristo, em quem todas as promessas têm o sim e o amém, para o louvor de Deus."

(João 5:39; II Timóteo 3:15-17; Colossenses 2:18-23; Mateus 15:9; Atos 3:22, 23; Hebreus 1:1, 2; II Coríntios 1:20)

Essas palavras constam de uma bela confissão de fé, escrita por irmãos nossos no ano de 1644: a Primeira Confissão Batista de Londres (Versão em inglês disponível em http://www.reformedreader.org/ccc/h.htm). Praticamente todas as confissões de fé protestantes e evangélicas declaram essa crença na autoridade e na infalibilidade da Bíblia.

De fato, a crença nessa verdade é o pilar mais importante da fé evangélica e o que a diferencia de todas as demais religiões cristãs. Enquanto elas acrescentaram muitas outras tradições e "revelações" à Bíblia, nós ficamos apenas com ela e não admitimos que ninguém lhe acrescente absolutamente nada (Apocalipse 22:18-19). Mas afinal, por que somos tão radicais?

Para respondermos a isso, vamos nos lembrar do dia mais feliz de nossa vida, quando encontramos o Senhor Jesus. Creio que foi essa a experiência da maior parte de nós: alguém nos falou de coisas que estavam escritas na Bíblia, acerca de Jesus e nosso coração vibrou com aquelas palavras. Então, cremos no que foi dito, mesmo sem entendermos muito bem. A partir desse momento, começamos a perceber, dia a dia, a presença maravilhosa de Deus em nossa vida. Notamos que, quanto mais nos submetemos à Bíblia e deixamos que ela nos transforme, mais próximos de Deus nos sentimos e mais vivemos as realidades do mundo espiritual. Então, torna-se fácil nos submetermos ao tratamento, muitas vezes duro, que as palavras de Deus operam em nosso ser, arrancando coisas de nossa vida e plantando outras. Em síntese: Deus não entrou em nossa vida porque nós declaramos que a Bíblia é infalível; a ordem é a inversa: primeiro Ele habitou em nós e depois nós aprendemos sobre a infalibilidade das Escrituras. Depois de convivermos com Deus, fica fácil crer na autoridade da Bíblia, já que foi por meio dela que fomos levados à Deus. Mesmo as questões bíblicas difíceis ou impossíveis de serem entendidas não nos afastam dela, pois sabemos que por ela desfrutamos da vida eterna. Além disso, há inúmeros versos da própria Bíblia que nos mostram, claramente, que ela é inspirada por Deus e digna de crédito, tais como os relacionados acima.

Mas, infelizmente, nem todos os homens se entregam a Jesus quando houvem a pregação do evangelho. Com isso, não desfrutam da presença de Deus em sua vida. Podem até se entregar à prática de alguma religião, mas não convivem com o Deus da Bíblia. Então, quando descobrem que a Bíblia condena seu modo de vida ou suas práticas religiosas, sentem-se incomodados e tentam se livrar do incômodo. Basicamente, fazem isso de duas formas: confrontando as narrativas bíblicas com a ciência ou questionando a inspiração divina dos livros que compõem a Bíblia.

Com o intuito de fortalecer nossa fé na Palavra e de levarmos luz a quem está em trevas, vamos aprender como devemos nos portar diante desses ataques.

Fé versus ciência

O primeiro tipo de ataque à Bíblia é resultado da controvérsia entre fé e ciência. Os defensores da ciência alegam que várias narrativas bíblicas revelam fatos impossíveis de acontecer, do ponto de vista científico. Em contrapartida, há pessoas que tentam mostrar que, na realidade, não há essa incompatibilidade e procuram explicações científicas para os fatos bíblicos. Algumas dessas explicações acabam reduzindo os milagres bíblicos a fatos meramente naturais, ou seja, a emenda fica pior que o soneto.

Bem, nós conhecemos o poder do nosso Deus e sabemos que Ele é maior do que a ciência. Estamos acostumados a ver milagres em nosso meio, que jamais poderiam ser explicados por cientistas. Portanto, "sabemos em quem temos crido" (II Timóteo 1:12). Deus não pode ser compreendido pela mente humana e não exige que o homem faça isso. Ao contrário, Ele quer que o homem creia nEle.

Certa vez, um professor da Escola Bíblia Dominical nos ensinava a história do profeta Jonas, que fora engolido por um grande peixe e, três dias depois, vomitado numa praia (Jonas 1:17 e 2:10). Algum dos alunos mencionou que os cientistas afirmavam que nenhum peixe poderia fazer isso. Ao que respondeu o professor: "Ainda que a Bíblia dissesse que um mosquito engoliu Jonas e o vomitou com vida depois de três dias, eu creria". Essa é a atitude que Deus espera de nós. Talvez os sábios deste mundo nos considerem loucos, mas isso já está previsto na própria Bíblia:


"Não se enganem. Se algum de vocês pensa que é sábio segundo os padrões desta era, deve tornar-se 'louco' para que se torne sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura aos olhos de Deus. Pois está escrito: 'Ele apanha os sábios na astúcia deles'; e também: 'O Senhor conhece os pensamentos dos sábios e sabe como são fúteis'." (I Coríntios 3:18-20)

A inspiração divina da Bíblia

Como vimos, um outro tipo de ataque à Bíblia consiste em questionar a sua inspiração divina. Esse ataque é mais sutil e perigoso do que o anterior. Algumas pessoas querem se declarar cristãos, por algum motivo, mas, ao mesmo tempo, querem: praticar a mediunidade, acreditar que não existe o diabo e nem o inferno etc. Resumindo, gostam muito do sermão da montanha e de algumas outras passagens "bonitas" da Bíblia, mas não admitem se render à Bíblia. Então, utilizam-se de algumas falácias para tentar desacreditá-la, ou para diminuir sua importância.

1ª falácia: o texto atual da Bíblia foi adulterado

A hipótese é a de que, mesmo que os manuscritos originais fossem inspirados por Deus, as cópias seguintes teriam sido proposital ou acidentalmente alteradas ou, até mesmo, aumentadas, como numa brincadeira de "telefone sem fio". Muitos atribuem à Igreja Católica Romana a alteração deliberada das Escrituras, com a intenção de manipular a religião.

O fato é que os dados destroem essa hipótese. Por exemplo, até 1947, os manuscritos mais antigos que existiam do velho testamento em hebraico datavam do ano 916 DC (embora houvesse traduções mais antigas). Até que, em 1947, foram descobertos os manuscritos do mar morto, escritos mais de mil anos antes, por volta do ano 100 AC. O texto é o mesmo, sem alterações significativas. Aleluia!!! Deus é poderoso para zelar pela sua Palavra.

O mesmo se pode dizer do Novo Testamento. Os mais antigos manuscritos, datados do 1º ou do 2º século da era cristã não apresentam diferenças importantes em relação aos posteriores.

2ª falácia: o cânon é questionável

O cânon é a lista de todos os livros que pertencem à Bíblia, por serem considerados inspirados por Deus, sagrados. Os que não se rendem à Bíblia alegam que a Igreja Católica Romana teria manipulado a relação dos livros que nela foram inseridos, excluindo livros cujo conteúdo colocaria em risco a religião católica, por conterem doutrinas contrárias às defendidas pela Igreja Romana.

Esses livros excluídos do cânon são chamados de apócrifos (não inspirados). Existem apócrifos do Velho Testamento (I e II Macabeus, Tobias, Judite etc.) e outros do Novo Testamento (Pastor de Hermas, Evangelho de Tomé etc.). Com relação ao cânon do Velho Testamento, a Igreja considerou sagrados os mesmos livros que os judeus consideravam. É importante notar que Jesus e os demais autores do Novo Testamento citam mais de 295 vezes várias partes das Escrituras do Antigo Testamento como sendo palavras autorizadas por Deus, mas nem uma vez sequer citam alguma declaração extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se tivessem autoridade divina. Isso confirma o fato de que Jesus e os apóstolos não consideravam sagrados os livros apócrifos.

Já o cânon do Novo Testamento é o mais atacado pelos contradizentes. Mas não têm razão, pois:

  • a maioria dos livros considerados sagrados foi escrita por apóstolos (todos exceto 5: Marcos, Lucas, Atos, Hebreus e Judas). A Igreja reconhecia nos apóstolos a mesma a autoridade que tinham os profetas do Antigo Testamento, para falar e escrever palavras do próprio Deus (II Pedro 3:2; II Coríntios 14:37);
  • Jesus havia mencionado que os apóstolos não só seriam lembrados de tudo quanto Jesus disse (João 14:26), mas também receberiam novas revelações diretamente do Espírito Santo (João 16:13-14);
  • Os verdadeiros cristãos têm a capacidade de ouvir a voz do seu Pastor (João 10:27) e possuem a unção do alto que os ensina (I João 2:20-27). Então, não teriam dificuldade em perceber quando um livro é inspirado por Deus e quando não é;
  • Os livros apócrifos contém inúmeras aberrações doutrinárias que os fazem destoar completamente dos livros sagrados.

Portanto, estão na Bíblia todos os livros que deveriam estar.

Conclusão

Esta lição com certeza foi mais cansativa do que as outras e, para muitos, pode até ter parecido desnecessária. Mas, certamente, foi de grande utilidade para os irmãos mais novos na fé, que poderiam ser alvo fácil daqueles que, por não suportarem a sã doutrina, distorcem a verdade e procuram destruir a Bíblia.

Nas próximas lições, começaremos a aprender e a nos apropriar das verdades que a Palavra de Deus diz a nosso respeito. Vamos nos submeter ao tratamento dessa Palavra infalível, que nos torna cada vez mais parecidos com Cristo.


"O Senhor me disse: 'Você viu bem, pois estou vigiando para que a minha palavra se cumpra'." (Jeremias 1:12)

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