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"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações..."
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imagem de Flávio Cardoso

As bocas de Deus

Iniciamos nossa meditação desta semana nos lembrando do episódio em que Isaque, por engano, acaba abençoando seu segundo filho, Jacó, em vez do primogênito, Esaú.

Antes de morrer, Isaque pediu a Esaú que caçasse algum animal e lhe preparasse uma gostosa comida. Depois que comesse, Isaque o abençoaria. Quando Esaú saiu à caça, Jacó, induzido por sua mãe, fez-se passar por Esaú e levou a seu pai uma refeição preparada a partir de dois cabritos do rebanho. Isaque desconfiou; mas, como estava cego, acreditou que era Esaú quem trazia a comida. Então, abençoou Jacó pensando tratar-se de Esaú.

28 Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto.
29 Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar.
30 Mal acabara Isaque de abençoar a Jacó, tendo este saído da presença de Isaque, seu pai, chega Esaú, seu irmão, da sua caçada.
31 E fez também ele uma comida saborosa, a trouxe a seu pai e lhe disse: Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que me abençoes.
32 Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem és tu? Sou Esaú, teu filho, o teu primogênito, respondeu.
33 Então, estremeceu Isaque de violenta comoção e disse: Quem é, pois, aquele que apanhou a caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que viesses, e o abençoei, e ele será abençoado.
34 Como ouvisse Esaú tais palavras de seu pai, bradou com profundo amargor e lhe disse: Abençoa-me também a mim, meu pai!
35 Respondeu-lhe o pai: Veio teu irmão astuciosamente e tomou a tua bênção.
36 Disse Esaú: Não é com razão que se chama ele Jacó? Pois já duas vezes me enganou: tirou-me o direito de primogenitura e agora usurpa a bênção que era minha. Disse ainda: Não reservaste, pois, bênção nenhuma para mim?
37 Então, respondeu Isaque a Esaú: Eis que o constituí em teu senhor, e todos os seus irmãos lhe dei por servos; de trigo e de mosto o apercebi; que me será dado fazer-te agora, meu filho?
38 Disse Esaú a seu pai: Acaso, tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, também a mim, meu pai. E, levantando Esaú a voz, chorou.
39 Então, lhe respondeu Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, e sem orvalho que cai do alto.
40 Viverás da tua espada e servirás a teu irmão; quando, porém, te libertares, sacudirás o seu jugo da tua cerviz.

(Gênesis 27:28-40)

Notem que todas as personagens desta história davam uma grande importância às palavras de bênçãos proferidas.

  • Rebeca, ao saber que Isaque abençoaria Esaú, tratou de arquitetar um plano para fazer com que o filho abençoado fosse Jacó, em vez de Esaú;
  • Jacó aceitou participar do plano, para receber a bênção, mesmo que para isso tivesse que enganar seu pai;
  • Isaque, ao descobrir que abençoara o filho errado, "estremeceu de violenta comoção" e demonstrou que o erro não poderia mais ser desfeito. Jacó seria o abençoado.
  • Esaú bradou com profundo amargor e chorou em alta voz ao saber que não seria abençoado.

Nos dias de hoje, imagino que nenhum de nós encararia as coisas da maneira como as personagens bíblicas encararam. É que nossa sociedade perdeu a compreensão do poder que existe quando uma bênção ou uma maldição é proferida. Não percebemos que nossas palavras podem alterar destinos, moldar circunstâncias.

Mas Isaque não tinha nenhuma dúvida que suas palavras se cumpririam. Para ele, cada uma das palavras proferidas a Jacó se tornaria inevitavelmente verdade. Nem mesmo ele seria capaz de alterar o destino que já estava traçado. E, ao lermos a história posterior dos descendentes de Jacó e de Esaú, percebemos que as palavras de Isaque realmente se cumpriram.

O poder da Palavra de Deus

A Bíblia nos ensina que todas as coisas que existem foram criadas e são sustentadas pela palavra de Deus:

Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível. (Hebreus 11:3)

O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. (Hb 1:3a, NVI)

Quando desejamos trazer algo a existência, o que fazemos? Trabalhamos. Traduzimos nosso desejo em ações, com o intuito de realizá-lo.

Mas com Deus é diferente. Quando Ele deseja trazer algo a existência, Ele simplesmente fala. Ele chama as coisas que não existem, como se já existissem (Rm 4:17). Então, elas passam a existir.

Quando Deus profere uma palavra acerca de qualquer coisa, todas as forças do universo começam a trabalhar para fazê-la cumprir.

10 Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, 11 assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a  designei.” (Is 55:10-11)

A Palavra se fez carne

Um dos títulos mais misteriosos que a Bíblia dá a Jesus é este: "Palavra" (do grego "Logos" e do hebraico "Davar"). Nas traduções mais clássicas, utiliza-se "Verbo":

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio com Deus.
3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. (...)
14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

(João 1:1-3,14)

De alguma forma incompreensível, Jesus representa a encarnação da Palavra de Deus. Ele viveu, morreu e ressuscitou. Hoje, a Palavra permanece viva em nós, por meio do seu Espírito que em nós habita.

23 Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.
24 Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.
(João 12:23-24)

Enquanto andava nesta terra, Jesus Cristo era a única manifestação visível da Palavra de Deus. Ele era um grão de trigo. Sua morte gerou muitos outros grãos de trigo. Hoje, a Palavra de Deus é visível em nós, que somos o Corpo de Cristo.

Montes, o que vocês estão esperando?

12 No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome.
13 E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos.
14 Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto.
(...)
20 E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz.
21 Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou.
22 Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus;
23 porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.
24 Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.

(Marcos 11:12-14,20-24)

Aqui o Senhor nos ensina que nós também temos o poder de alterar circunstâncias, situações e destinos com nossas palavras. Mas, para isso, precisamos ter a mesma percepção de Isaque: não podemos duvidar que nossas palavras se cumprirão.

Mas, de onde vem esse poder? Pensamento positivo? Lei da atração? Claro que não.

Esse poder vem da presença viva de Deus em nós. Agora, vivendo em nós, o Senhor deseja proferir sua Palavra por meio de nossos lábios. É de nossas bocas que as palavras de Deus brotarão, trazendo à existência o que Ele deseja que exista. Por isso que o Senhor nos adverte: "Tende fé em Deus". O poder da Palavra capaz de mover montes não vem de nós mesmos, mas daquele que em nós habita.

Então, nossa boca deve trabalhar para Ele, de acordo com a vontade dEle. E a Sua vontade é sempre a de abençoar: jamais de amaldiçoar. Por isso:

14 abençoai os que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. (Romanos 12:14)

10 De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim.
11 Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? 12 Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce. (Tg 3:10-12)

Instrumentos de bençãos

É por meio de nossas bocas que as Palavras de Deus serão proferidas e a vontade de Deus será realizada, levando bênçãos ao mundo:

Digo-lhes a verdade: Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu. (Mateus 18:18)

Esse verso costuma ser mal compreendido. “Ligar”, aqui, não transmite a ideia de “acionar um interruptor”, mas de “atar”, “prender”, “amarrar”. Nos versos anteriores, o Senhor Jesus nos fala da situação em que a igreja decide sobre o destino de um membro. O que Ele quis dizer é: “o que vocês decidirem na terra terá sido decidido no céu”.

Que imensa responsabilidade! A igreja recebeu autoridade para afetar os destinos das pessoas e dos povos. Como poderemos exercer tamanha autoridade, se não estivermos intimamente sintonizados com o Espírito Santo?

Nossa missão é a de abençoarmos nossos filhos, pais, cônjuges, país, governantes, chefes etc. Nós temos autoridade para falarmos em nome de Jesus nesta Terra. Nós somos as "bocas de Deus".

Abençoe também sua própria vida! Temos uma grande tendência a nos acomodar com pequenos males que nos afligem. Num dia, chega uma dorzinha na coluna e achamos que é normal: "é da idade". Noutro dia, chega uma alergiazinha em nossas crianças e dizemos: "é do clima". Em outra ocasião, aparece uma pressãozinha alta em nosso cônjuge e dizemos: "é genético". Depois, vem uma depressãozinha, uma dividazinha, um divorciozinho...

É dessa maneira que o nosso inimigo vai nos atingindo com suas setas malignas nos enfraquecendo a cada dia.

A Bíblia nos ensina que, com o escudo da fé, podemos apagar todos os dardos inflamados do Maligno (Efésios 6:16). Então, por que nos encolhermos? Não devemos aceitar a canga do diabo. Deixemos que as palavras de Deus brotem de nossa boca. Façamos como Isaque: consideremos que tudo o que for dito em nome de Jesus já se cumpriu. Ao primeiro sinal de que há algo errado, reajamos! Ordenemos aos montes que se mexam! Digamos assim:

É Ele quem perdoa todas as minhas iniquidades e quem sara todas as minhas enfermidades (Salmo 103:3).

...Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR. (Josué 24:15b)

...a alegria do SENHOR é a vossa força (Neemias 8:10)

8 Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados;
9 perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos;
10 levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo.
(2 Coríntios 4:8-10)

Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e
sobre todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano. Contudo,
alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas
porque seus nomes estão escritos nos céus. (Lucas 10:19-20, NVI)

17 Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas;
18 pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados. (Marcos 16:17-18)

Nosso Senhor, que em nós habita, nos deu autoridade, ou seja, nos conferiu o direito de usarmos o seu poder sobre Satanás e sobre as circunstâncias da vida. Essa autoridade é exercida, principalmente, por meio da palavra de Deus que sai de nossa boca. Que sejamos as bocas de Deus neste mundo.

Agindo de acordo com a vontade de Deus

Ora, se temos autoridade para fazermos certas coisas em nome de Jesus, é claro que só devemos fazer, em seu nome, o que Ele deseja que seja feito. Não podemos usar o Nome para realizarmos coisas contrárias à Sua vontade.

Também há ocasiões em que não conseguimos discernir muito bem o que ocorre conosco. Há ocasiões em que o próprio Deus nos coloca em situações difíceis, para nos ensinar algo ou para nos disciplinar (ver, por exemplo, Deuteronômio 8:5). Nesses casos, de nada adiantará usar a autoridade do nome de Jesus para ordenar que o mal se aparte. Ao contrário, é preciso que tenhamos calma e nos rendamos pacientemente ao Senhor, até que Ele fale e nos mostre o que precisamos fazer. Ele sempre fala!

As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. (João 10:27)

Por que a pressa? Agir com pressa pode nos levar a declarar coisas contrárias à vontade de Deus, que acabam não acontecendo. Isso enfraquece nossa fé.

Nossa vida não está em Suas mãos? Tenhamos paciência para ouvirmos o que o Senhor tem a dizer. Haverá ocasiões em que nos revelará nossos erros e nosso arrependimento trará o livramento do mal. Também haverá aquelas em que Ele nos dirá: “Isso é um dardo inflamado do maligno. Reaja! Exerça sua autoridade!”. Então, não haverá nenhuma força do inferno que poderá nos resistir.

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