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"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações..."
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imagem de Flávio Cardoso

O único Refúgio

No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte? (Salmos 11:1)

Interessante essa pergunta feita por Davi. Para quem já está no mais protegido dos refúgios, não faz nenhum sentido procurar algum outro abrigo. Assim como Davi, os filhos de Corá também cantaram acerca do Refúgio:

1  Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.
2  Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares;
3  ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam.
4  Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.
5  Deus está no meio dela; jamais será abalada; Deus a ajudará desde antemanhã. (Salmos 46:1-5)

E também Moisés escreveu sobre isso, no famoso Salmo 91, que não transcreverei aqui para não ficar muito repetitivo, mas recomendo que você leia.

Acho que há muitos homens e mulheres que, assim como Davi, os filhos de Corá e Moisés, costumam cantar acerca de como Deus é um refúgio maravilhoso. Mas nem todos os que cantam sobre isso realmente conseguem se refugiar em Deus quando o cinto aperta. O que fazemos quando nos assaltam a angústia, o medo, a solidão e tantos outros males? Nos refugiamos em Deus ou, como pássaros, voamos para algum monte? Infelizmente, muitos optam pelos montes.

Para explicar da forma mais fácil, vamos pensar num problema que tem assolado cada vez mais pessoas: a solidão. Quando bate aquela solidão terrível, o que fazemos?

Lembro-me de uma querida irmã na fé que sofria com a solidão. Antes de nascer de novo em Cristo, ela sempre tentava ocupar sua vida com coisas, atividades e relacionamentos. Tornou-se consumista, viciada em remédios para dormir, em malhação, teve alguns namorados, fez cursos de música, de degustação de vinhos e de café, de idiomas etc.

Depois que ela nasceu de novo, de uma forma maravilhosa da qual jamais me esquecerei, ela simplesmente radicalizou e parou com tudo isso. Na verdade, ela ainda continuou solitária por um bom tempo, e a solidão continuava doendo muito. Mas ela me dizia não querer mais "anestesias" para a dor. Agora, ela fazia questão de ir para a presença de Deus com toda a dor da sua alma, sem anestesias. E ali, no esconderijo do Altíssimo, derramava suas lágrimas e permanecia em oração, até que do alto viesse o consolo. E Ele sempre vinha, renovando suas forças, curando as feridas mais profundas e transformando sua alma. Louvo a Deus porque, pouco tempo depois de convertida, aquela irmã já era mais parecida com Cristo do que muito crente velho que conheço.

É interessante que muitas de suas antigas companhias, bem como familiares, não entendiam o seu comportamento radical e até o condenavam. Por que uma jovem bela, solteira e independente ficaria fugindo de relacionamentos, de festas e de tantas outras opções para relaxar, fugir do stress? Essas pessoas eram como as que diziam a Davi: "Foge, como um pássaro, para o teu monte".

Mas a irmã não fugiu. Ao contrário, atravessou o "vale da sombra da morte" com toda a coragem, buscando forças em Deus, até que saiu do outro lado.

Como temos enfrentado as tempestades que nos assolam? Fugindo como pássaros para os montes, ou correndo para o Nosso Refúgio?

Sabe por que muitos irmãos não permanecem no esconderijo do Altíssimo? Porque esse lugar é muito desagradável assim que chegamos lá. A gente vai buscando algo para resolver o nosso problema e o que encontramos é um Deus que, sem dó nem piedade, nos mostra que NÓS somos o problema! Quando isso acontece, muitos preferem sair desse Esconderijo, voando para os montes do mundo, onde só encontrarão alívio temporário, mas jamais a cura.

É mais ou menos assim que acontece:

  • chegamos no esconderijo sofrendo com a solidão, e o que Deus nos diz? Que não precisamos de pessoas para ser feliz, mas apenas dEle. Que precisamos aprender a nos alegrar apenas nEle;
  • chegamos angustiados porque perdemos o emprego e o que Deus diz? Que vai nos dar outro emprego? Não. Ele diz que vai suprir todas as suas necessidades do jeito dEle. Ele nunca explica como vai fazer isso: exige que creiamos e descansemos nEle;
  • chegamos furiosos por termos sofrido enorme injustiça e Deus nos manda perdoarmos e nos alegrarmos por termos sido injustiçados.

No esconderijo do Altíssimo nós descobrimos, de forma bastante simples e direta, que quase todo o nosso sofrimento decorre de nos amarmos a nós mesmos mais do que a Deus. E lá o Senhor nos oferece a única coisa capaz de nos livrar desse sofrimento: a cruz, a auto-negação, a auto-anulação, o morrermos para nós mesmos.

A morte de nosso ego é o que põe fim ao nosso sofrimento. E depois da morte, vem o descanço da ressurreição: o Senhor nos enche com sua presença vivificante e nos faz andar cheios da paz, do amor e da vida que provêm de sua presença em nós.

Infelizmente, esse processo de morte e ressurreição se estende por toda a nossa caminhada nesta Terra. Viver no esconderijo do Altíssimo significa morrer e ressuscitar a cada dia. Se estivermos dispostos a isso, poderemos perguntar como Davi: "No SENHOR me refugio. Como dizeis, pois, à minha alma: Foge, como pássaro, para o teu monte?". Mas, se não estivermos dispostos a enfrentar a cruz, nossa melhor opção será buscar os falsos refúgios, os anestésicos, incapazes de preencher o vazio de nossa alma: coisas, atividades e relacionamentos.

Para inspirar a reflexão acerca desse assunto, presenteio vocês com o vídeo de uma maravilhosa música de nossa irmã Ana Paula Valadão.

 


 

Perguntas para debate

  1. Todos nós temos inúmeras atividades em nosso dia a dia: estudo, trabalho, malhação, cursos, lazer, diversão etc. Você consegue se imaginar sem essas atividades? Como ficaria o seu coração: angustiado ou em paz?
  2. Na questão anterior, falamos das atividades. Agora, pensemos nas coisas: carros, celulares, computadores, imóveis, roupas etc. Como ficaria a sua vida sem essas coisas? Por exemplo: você conseguiria passar 1 ano sem comprar nenhuma roupa?
  3. Continuando, pensemos agora nos relacionamentos afetivos. Muitas pessoas se tornam dependentes de tais relacionamentos para serem felizes. A vida se torna uma eterna busca por paqueras, namoros, flertes. Você tem enfrentado esse problema?
  4. Que problemas têm tirado a sua paz ultimamente? Depois de meditar nesse texto, será que a fonte desses problemas não está em você mesmo(a)?
Vídeo embutido (youtube): 
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