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"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações..."
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imagem de Flávio Cardoso

Mutualidade (parte 1)

15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor. (Efésios 4:15-16)

A unidade é um grande desafio para a Igreja. Se não houver unidade, ela não conseguirá desempenhar sua missão, atendendo ao "ide" do Senhor Jesus. Nesse ponto, a Igreja é bem diferente de uma empresa, por exemplo. As empresas precisam de muitas coisas para crescerem e prosperarem, tais como organização, planejamento, marketing etc. Mas não precisam de "unidade". A igreja, por outro lado, não cresce verdadeiramente, de forma saudável, sem unidade. Todos os seus membros precisam ter consciência de que são parte de um mesmo organismo vivo.

Unidade e humildade

A grande força que se opõe à unidade da Igreja é o nosso ego, nossa tendência a darmos muita importância à nossa individualidade, nossa privacidade, nossas necessidades, nossas ideias, nossas vontades. É verdade que todos os membros do Corpo são importantes. Mas não podem prestar atenção à sua própria importância. Se isso ocorrer, o Corpo começa a se esfacelar:

1 Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias, 2 completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. 3 Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. 4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros." (Filipenses 2:1-4)

O caminho para a unidade da Igreja passa pela cruz, pela auto-negação, pela mortificação do ego. Recordemos a lição mais importante ensinada por Cristo:

Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. (Mateus 16:24)

Este é o começo de uma vida vitoriosa com Cristo. O despojamento de algo que já domina a vida do individuo. São os hábitos pecaminosos da carne. Os direitos da carne tem de ser desrespeitados.

Carregar a própria cruz é dever de cada cristão. É uma batalha contínua! Mas, principalmente dos Líderes, que têm o dever de ensinar esse princípio aos seus discípulos. A Igreja só estará pronta para experimentar a unidade quando os membros do Corpo aprenderem esta lição.

Unidade e maturidade

É importante notar que a maturidade da Igreja é medida pela unidade! Igrejas imaturas são repletas de divisões e partidos. Quando, porém, seus membros se deixam moldar pela ação unificadora do Espírito Santo, as individualidades, antes tão prezadas, perdem importância.

O Senhor Jesus orou ao Pai, suplicando essa maturidade para a Igreja.

20 Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; 21 a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. 22 Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; 23 eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para
que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. (João 17:20-23)

Meditemos também nessas palavras do apóstolo Pedro:

3 Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, 4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo, 5 por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; 6 com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; 7 com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. (2 Pedro 1:3-7)

Neste ponto, entendemos que o crescimento espiritual trás a consciência de que somos corpo e portando o cuidado que devemos ter uns com os outros, cultivando as virtudes do Reino. A Relação de valores virtuosos que Pedro descreve na sua carta, é próprio do crescimento e santificação do povo de Deus.

Portanto, devemos reunir toda a nossa diligência para associar a fraternidade e o amor à nossa fé. A recomendação do apóstolo Pedro vai ao encontro da prática da Igreja primitiva, em que os discípulos se dedicavam à comunhão (Atos 2:42).

Unidade e guerra espiritual

Se existe um tema que desperta grande curiosidade entre os crentes é o da guerra espiritual. Basta entrar numa livraria evangélica para constatar o grande número de livros escritos sobre esse assunto. Mas eu, que já li alguns, não me lembro de algum autor que tenha destacado a importância da unidade da Igreja na guerra espiritual.

A unidade é essencial para a saúde do Corpo de Cristo; sem ela, a Igreja não poderá exercer poder contra as hostes espirituais do mal.

10 Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; 12 porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. 13 Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. 14 Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. 15 Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; 16 embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17 Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; 18 com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos" (Efésios 6:10-18)

Muitas vezes lemos essa passagem prestando atenção aos componentes da armadura. Mas não podemos nos esquecer do que vem ao final. O verso 18, nos revela o quanto a unidade é imprescindível para a vitória na guerra espiritual. Quando todos percebem que fazem parte do mesmo organismo, tratam de proteger cada membro do Corpo, "vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos". Qualquer membro enfermo ou enfraquecido representa vulnerabilidade para todo o Corpo.

25 para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. 26 De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. 27 Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. (1 Coríntios 12:25-27)

As portas do inferno não prevalecem contra a Igreja, o Corpo de Cristo, a congregação dos santos. Mas prevalecem facilmente contra membros isolados. A esse respeito, talvez seja interessante você ler um outro texto neste site: O Crente Robson Crusoé.

Unidade e Avivamento

Se existe uma convicção comum entre os cristãos é da necessidade de reviver, na Igreja de hoje, os dias de glória narrados no livro de Atos dos Apóstolos. Muito se tem escrito sobre avivamentos e sobre o que deve ser feito para atrair o derramamento do Espírito Santo: oração incessante, confissão de pecados, quebrantamento etc.

Tudo isso é, de fato, muito importante. Mas não se deve esquecer que a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, bem como o fluir do Espírito que continuou no seio da Igreja Primitiva, aconteceram num contexto de obediência e forte unidade dos discípulos do Senhor, que diariamente perseveravam unânimes no templo e nas casas.

Não existe avivamento que mantenha a Igreja dividida e as pessoas isoladas. Ao contrário, sempre que o avivamento chega, os membros do Corpo rapidamente se agrupam e começam, cada qual, a desempenhar suas funções, de acordo com o direcionamento do Espírito. Por outro lado, é fácil saber quando o avivamento está chegando ao fim: quando surgem as divisões no seio da Igreja.


Perguntas para debate nos Grupos

  1. Como eu me avalio nestes três aspectos principais defendido na comunhão dos salvos:
    • Como membro do Corpo de Cristo, a Igreja, estou cumprindo o meu dever?
    • Como estou me dedicando no conceito de "uns aos outros" no Corpo?
    • Como estou honrando meus irmãos no Corpo?
  2. Qual tem sido a minha contribuição para que a nossa igreja alcance a maturidade?
  3. O que devemos fazer para melhorar ainda mais esses valores em nossa Igreja?

Texto adaptado a partir de estudo escrito pelo Bispo Antonio Costa.

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