O encontro com um adorador

imagem de Flávio Cardoso
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Quando ele desceu do monte, grandes multidões o seguiram.
Um leproso, aproximando-se, adorou-o de joelhos e disse: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me!"
Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: "Quero. Seja purificado! " Imediatamente ele foi purificado da lepra.
Mateus 8:1-3

Admiradores

Depois do Sermão do Monte, Jesus se encontrava num momento de alta popularidade. Muitas pessoas notáveis, importantes, deviam estar ouvindo suas palavras. Certamente, havia líderes religiosos ali.

Jesus apresentou uma profunda reinterpretação da Lei de Moisés. Era uma verdadeira revolução teológica. Quando desceu do monte, grandes multidões o seguiam, maravilhadas com sua doutrina. Elas estavam exatamente como nós, toda vez que lemos as palavras do Mestre: enlevados.

Porém, quando nos deparamos com o texto transcrito no início desta mensagem, constatamos que aquele leproso adorou a Jesus.

Isso nos faz notar algo interessante. A Bíblia não diz que alguma pessoa, daquela multidão de maravilhados, tenha adorado a Jesus. Nenhuma delas teve um contato íntimo com o Senhor. Nenhuma delas recebeu um toque de Jesus. Somente o leproso.

Admiradores ou Adoradores?

Jesus estava cercado de muitos admiradores. Pessoas que estavam fisicamente próximas, mas distantes do coração do Mestre. Na verdade, essa continua a ser a realidade. A grande maioria das pessoas está ao mesmo tempo próxima e distante do Senhor Jesus Cristo.

Em geral, todas as pessoas, qualquer que seja a religião que professem, têm alguma opinião ou conceito acerca de Jesus. Talvez pudéssemos chamar isso de "proximidade intelectual". O tema "Jesus Cristo" pode alimentar longas conversas. Mas ter uma opinião acerca de Jesus, seja ela certa ou errada, não aproxima a pessoa nem um milímetro dEle.

Mesmo dentro de nossas igrejas, esse tipo de proximidade intelectual é muito frequente. Os cristãos admiram Jesus, falam sobre Jesus, cantam sobre Jesus, declaram os feitos de Jesus, se emocionam com a história e com as palavras de Jesus e talvez até trabalhem para Ele.

Tudo isso é muito bom e necessário! A Bíblia nos conclama a fazermos tudo isso. Mas não é o mais importante para Deus.

Jesus não disse: “o Pai procura admiradores”, “o Pai procura trabalhadores” ou “o Pai procura cooperadores”. Ele disse:

No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. (João 4:23.)

Então, nossa adoração é o mais importante para o Pai. É preciso que os seguidores de Jesus sejam aqueles que entregam seu amor a Ele, diretamente, como fez o leproso. Nossas canções acerca de Cristo, nosso trabalho para Ele e tudo o mais que fazemos em nossa caminhada cristã devem ser resultado de nossa adoração, e não substitutos para ela.

Como dissemos, as multidões estavam maravilhadas com a doutrina de Jesus. Mas elas não estavam adorando a Jesus. Apenas o leproso o adorou.

O leproso se APROXIMOU e ADOROU

Não se aproximou apenas fisicamente. Ele se aproximou do coração de Jesus. Aproximou-se da única maneira pela qual o homem pode se aproximar de Deus: reconhecendo-o como tal, como Deus, e adorando-o.

Os trabalhos que fazemos para Deus são muito importantes. Mas eles devem ser o resultado de uma vida de adoração a Deus; não são substitutos para essa vida de adoração.

É muito bom pensar sobre as coisas de Deus, sobre seus atributos (amor, justiça, poder), sobre suas obras. Mas pensar sobre Deus não nos aproximará dEle. Enquanto outros ficaram pensando sobre Jesus, o leproso se aproximou adorando.

Gosto muito dessas palavras, extraídas de um livro escrito por um adorador anônimo da Idade Média:

Em Deus mesmo, nenhum homem pode pensar. Portanto, eu desejo abandonar tudo o que posso pensar, e escolher para objeto do meu amor exatamente o que não posso pensar. Porque Deus pode muito bem ser amado, mas não pensado. Pelo amor Ele pode ser apanhado e retido; mas já pelo pensamento, não, nunca.

Os que gastam suas energias tentando entender Deus, talvez jamais se relacionem com Ele, jamais se aproximem dEle. Ao contrário, muitos desses pensadores acabam-se afastando dEle. Quer se aproximar de Deus? Ame-o! Adore-o! Você não pode compreendê-lo. Mas pode capturá-lo com seu amor. E o que é mais extraordinário: por alguma razão misteriosa, Ele deseja ardentemente receber o seu amor.

Isso nos leva à clássica e constrangedora pergunta: quanto tempo, na nossa vida, nós dedicamos a amar a Deus?

Existe uma confusão conceitual que aflige a igreja atual. Muitos acham que "adorar" é sinônimo de "falar". Por vezes vemos isso: o pastor, ou o ministro de louvor, conclama a igreja a adorar, e só fica satisfeito quando ouve o burburinho das palavras dos fieis. Confundimos "tagarelice compulsiva" com "adoração". Se fosse assim, um papagaio bem treinado poderia ser um grande adorador!

Ainda muito jovem eu aprendi que adoração não se confunde com palavras. No secreto de meu quarto, depois de falar tudo o que podia a Deus, senti a presença poderosa de Deus e não consegui falar mais nada. Um profundo silêncio, uma quietude diferente, se apoderou, não apenas de minha boca, mas também de minha mente. Então, senti como se todo o meu ser exalasse amor ao Pai. Naqueles poucos minutos de silêncio, adorei-o de modo muito mais profundo e poderoso do que jamais havia feito.

Ame primeiro, fale depois. Ame muito, fale apenas o necessário. Nossas palavras são resultado, e não sinônimo, da adoração em espírito e em verdade.

Entre no seu quarto, aquiete seu corpo, silencie sua mente e seu coração. E diga a Deus: “Senhor, eu creio que estou em Cristo, assentado nas regiões celestiais. E é aqui que vou ficar nos próximos 10 minutos, apenas te amando".

Pegue uma palavrinha, como “Jesus”, por exemplo. Envolva essa palavra com todo o seu amor. E, de tempos em tempos, dispare essa palavra como uma flecha diretamente ao coração do Pai. Use-a como escudo contra os pensamentos, recordações ou imagens que aparecerem em sua mente, desviando sua atenção do Senhor.

O leproso adorou como podia

Adorou do jeito que estava. Adorou leproso. Ele era um homem repugnante, evitado por todos, banido da vida em sociedade. Podia pedir que o Senhor o curasse primeiro, para que pudesse adorá-lo melhor. Certamente Jesus atenderia a esse pedido, pois atendeu em outras ocasiões, por exemplo quando curou dez leprosos.

Mas ele não esperou ser curado para só depois adorar. Ele sabia que era repugnante, mas não se importou com isso. Adorou assim mesmo.

Nós somos, para Deus, tão repugnantes quanto esse leproso era para os que o viam. E, na verdade, reconhecer nossa própria repugnância é um requisito para nos aproximarmos de Deus.

As Escrituras afirmam que:

  • Não existe bem algum na nossa carne.
  • Nossas obras de justiça são, para Deus, como trapos de imundície.
  • Continuamos sendo maus, mesmo quando fazemos o bem.

Portanto, nenhum homem pode confiar em seus méritos. Quem assim faz, está totalmente distante de Deus.

Há algumas semanas, meditamos sobre o episódio do jovem rico que se aproximou de Jesus buscando saber o que deveria fazer para alcançar a vida eterna. A exemplo do leproso, ele também se ajoelhou diante de Jesus. Buscava a coisa certa, tinha a motivação certa e foi à fonte certa: Jesus. Apesar de tudo isso, Jesus não lhe concedeu a vida eterna, pois o jovem não foi capaz de enxergar sua própria pecaminosidade e nem de reconhecer o senhorio de Cristo.

Quem deseja se aproximar de Deus precisa:

  • Reconhecer sua condição repugnante aos olhos de Deus.
  • Arrepender-se dos seus pecados, confessando-os a Deus.
  • Confiar que Deus o ama, apesar de sua condição.
  • Reconhecer que Jesus é Deus, adorando-o, como fez o leproso.
  • Confiar que Ele é poderoso para o purificar de todo pecado.

O leproso adorou primeiro.

Por mais desesperado que você esteja, entre na presença de Deus adorando-o primeiro. Não comece pedindo. Esqueça-se, por um momento, do seu problema, e entregue a Deus o seu amor. Nesse momento de adoração, esqueça-se de tudo. Das pessoas, das coisas, das emoções, dos pensamentos. Simplesmente, ame o Senhor.

Se você pedir primeiro, é possível que Ele atenda o seu pedido. As Escrituras nos mostram que Ele fez isso por muitos que pediram primeiro. Mas, se existe algo que estremece o coração de Deus, é quando Ele se depara com um adorador capaz de esquecer de seus problemas enquanto adora.

Depois desse momento de adoração, se você ainda achar que tem algum problema, fale com Deus acerca dele.

O leproso nem sequer ousou pedir a sua cura, mas apenas reconheceu o poder de Jesus para curá-lo. Para quem é adorador e conhece a intimidade do Senhor, muitas vezes um simples reconhecimento do poder de Deus já é suficiente para alcançar o favor do Pai.

Note que o leproso se APROXIMOU (v. 2) de Jesus para dizer-lhe: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me.” Isso é muito diferente de dizer à distância: “Se Deus quiser, Ele pode me curar”. Essas seriam palavras de admiradores distantes, não de adoradores. Adorador fala com o Pai de pertinho, face a face.

Os adoradores são sempre abençoados. Deus não rejeita corações contritos.

Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás. (Salmos 51:17)

. . . A este eu estimo: ao humilde e contrito de espírito, que treme diante da minha palavra. (Isaías 66:2)

O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido. (Salmos 34:18)

Pois assim diz o Alto e Sublime, que vive para sempre, e cujo nome é santo: “Habito num lugar alto e santo, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para dar novo ânimo ao espírito do humilde e novo alento ao coração do contrito”. (Isaías 57:15 )

Conclusão

Na versão Revista e Atualizada de Almeida, o título do texto que lemos é “A cura de um leproso”. Mas bem poderíamos intitulá-lo “O encontro com um adorador”.

Deus quer que você o encontre, assim como aquele leproso encontrou. Siga os passos dele, e você encontrará a Jesus.

  • Reconheça sua situação pecaminosa. Você não merece se encontrar com um Deus tão puro e santo como o nosso.
  • Mas a boa notícia é que Deus quer te tocar mesmo assim, da mesma forma como tocou no leproso.
  • Arrependa-se de seus pecados.
  • Invoque a misericórdia de Deus sobre sua vida.
  • Adore a Jesus, e diga para Ele: “Mestre, se você quiser, pode me limpar do meu pecado”.

A Bíblia não diz que aconteça festa no céu quando um cego é curado, ou quando um paralítico anda. Mas ela diz que há alegria entre os anjos quando um pecador se arrepende.

Talvez você já tenha, no passado, reconhecido o senhorio de Jesus sobre sua vida. Mas, com o passar do tempo, tornou-se muito mais um admirador do Mestre do que um adorador.

Lembre-se que o Pai está a procura de adoradores e que nada substitui uma vida de amor e adoração. Que os momentos de verdadeira adoração sejam constantes em sua vida diária.

Pregado na Igreja de Nova Vida do Guará, em 17/06/2012.

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