O perigo da calmaria

imagem de Flávio Cardoso
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Não sejam idólatras, como alguns deles foram, conforme está escrito: "O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra". (1 Coríntios 10:7)

Nessa passagem, o apóstolo Paulo menciona a história do povo hebreu, em sua saga rumo à Terra Prometida. Durante mais de 400 anos, esse povo viveu sob forte opressão, escravizado no Egito. Até que Deus ouviu o seu clamor e providenciou a sua libertação. Por meio de Moisés, Deus operou milagres extraordinários e castigou os egípcios.

Pronto. O sofrimento acabara. A humilhação já não mais existia. Agora, o povo de Israel estaria livre para viver em plena comunhão com Deus, desfrutando do amor desse Deus que, tão graciosamente, o havia libertado. Mas..., não foi isso que aconteceu.

Enquanto Moisés estava no monte Sinai recebendo as Leis de Deus, que regulariam o relacionamento entre Deus e o povo de Israel, os israelitas logo procuraram outros deuses. Vejam:

Então o Senhor disse a Moisés: "Desça, porque o seu povo, que você tirou do Egito, corrompeu-se.

Muito depressa se desviaram daquilo que lhes ordenei e fizeram um ídolo em forma de bezerro, curvaram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios, e disseram: ‘Eis aí, ó Israel, os seus deuses que tiraram vocês do Egito’". (Êxodo 32:7-8)

Paulo, no versículo que lemos ao início, nos alerta para que não procedamos da mesma forma que os antigos israelitas. Nos períodos de tribulação, todos nos voltamos para Deus. Orações, jejuns, vigílias e campanhas se tornam a nossa rotina. Apesar das dificuldades, é nessas épocas que crescemos espiritualmente, nos submetemos à disciplina de Deus, corrigimos nossas condutas, nos santificamos.

Mas chega o dia em que a prova acaba e a tempestade dá lugar à calmaria. A tão sonhada bênção finalmente chega e o coração se enche de alegria. O crente se sente no direito de descançar um pouco: afinal, acabou de passar por um deserto terrível. As leituras bíblicas dão lugar ao ócio em frente à televisão: afinal, não é pecado ver TV. A frequência aos cultos cai. Os momentos de oração são trocados por longos períodos em frente ao Facebook-Orkut-Twiter, ou qualquer outra praga virtual, digo, rede social, olhando fotos e comentários banais de "amigos". Sem perceber, o cristão se torna um tremendo idólatra. Seus novos deuses são a preguiça, a futilidade, o materialismo e muitos outros. A carne se fortalece e passa a vencer o espírito. A maré mansa da idolatria dura até que surja um novo deserto. Então, o ciclo de busca a Deus é reiniciado.

A história da Igreja nos mostra que ela sempre é depurada nos momentos de perseguição e tribulação. É aí que ela floresce. Mas, por outro lado, ela tende a se corromper nos períodos de calmaria, exatamente como o que vivemos agora, no Brasil. Que Deus tenha piedade de nós!

Como romper com esse ciclo infernal? Como evitar a idolatria?

Respondo com uma única palavra: D I S C I P L I N A. Penso que nossa natureza decaída nos leva naturalmente ao pecado sempre que há calmaria. Então, a maneira de evitar a idolatria é fugir da calmaria, por meio da disciplina. Ela nos leva a manter nossa carne permanentemente "afligida", enfraquecida, mortificada. Só assim a vida de Cristo poderá permanecer aflorando.

Precisamos nos comprometer firmemente a manter nossa vida devocional perene durante a calmaria. Não podemos deixar que essa vida devocional caia a zero depois das tempestades. Estabeleça:

  • um número de capítulos da Bíblia que deverão ser lidos todos os dias;
  • um período de oração diário;
  • um período de jejum semanal;
  • envolva-se nas atividades da igreja.

Se esses compromissos forem assumidos em conjunto com outros irmãos, terão uma chance muito maior de serem cumpridos. "exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros..." (1 Tessalonicenses 5:11).

A razão da nossa alegria, descanso e paz não é o fim das tribulações. É o fato de permanecermos em Cristo, seja na tempestade, seja na bonança.

Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. (João 15:6)

Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. (Efésios 6:13)

ninho no rochedo

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