O crente "Robson Crusoé"

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O náufrago (Tom Hanks)

O “Robson Crusoé” gospel

Um dos grandes males contra os quais precisamos lutar em nossas igrejas é o individualismo. Durante séculos, os cristãos se acostumaram à ideia de que o bom cristão é aquele guerreiro solitário, capaz de vencer a si próprio, ao pecado e à Satanás, e isso tudo com a ajuda apenas de Deus. Então, um dia ele chegará ao céu e encontrará o Senhor Jesus, que lhe dirá: “Você é o Cara!”. Quando um discípulo pede socorro a outros, é mal visto. É tido como um derrotado, alguém que “pediu arrego” porque não aguentou a batalha. O lamentável é que esse paradigma de crente “Robson Crusoé” está muito distante do paradigma bíblico de crente. Veja o que diz a Palavra:

  • “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (Jo 13:35)
  • “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Rm 12:10)
  • “E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10:24)
  • “Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro;” (1 Pe 1:22)
  • “Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” (1 Pe 5:5)
  • Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.” (Gl 6:2)
  • “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” (Ef 4:32)
  • “Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis.” (1 Ts 5:11)
  • Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tg 5:16)

Portanto, o crente “náufrago” pensa que está abafando, que é “o cara” espiritual. Mas, na verdade, é um alvo fácil para Satanás. Pensa que é um grande herói, um “Cavaleiro Solitário” vencedor, mas na verdade está mais para um “Dom Quixote de la Mancha”. Tem grandes possibilidades de ficar a vida inteira lutando contra os mesmos pecados, sem conseguir crescer em sua caminhada cristã. Se há algo que temos aprendido é que a vida de Deus, a cura de Deus, o poder de Deus, fluem pelo Corpo de Cristo. Coisas sobrenaturais ocorrem quando os irmãos procuram a ajuda de outros irmãos. Deus usa o irmão para nos falar, nos amar, nos curar. Muitas vezes, pensamos que não é certo incomodar os irmãos com nossos problemas. Mas, na verdade, nós os estamos honrando quando lhes pedimos ajuda. O texto que transcrevo abaixo abriu meus olhos para essa realidade. Espero que também abençoe você.

A SOLIDARIEDADE DOS FRACOS
Uma maneira muito importante de ultrapassar a nossa tristeza é retirá-la do seu isolamento e partilhá-la com alguém que a possa compreender. Muitas das nossas penas ficam por revelar -- mesmo aos nossos amigos mais íntimos.
Quando nos sentirmos sós, vamos ter com alguém em quem confiamos e digamos-lhe: 'Sinto-me só, preciso do seu apoio e companhia'. Quando nos sentirmos ansiosos, emocionalmente carentes, indignados ou aborrecidos, tenhamos a coragem de pedir a um amigo que fique conosco e compreenda a nossas penas.
Com demasiada frequência pensamos ou dizemos: 'Não quero aborrecer os meus amigos com os meus problemas. Eles já têm problemas de sobra'. Mas a verdade é que damos uma honra aos nossos amigos ao partilhar as nossas lutas com eles. Não somos nós os primeiros a dizer aos amigos que nos tenham escondido os seus sentimentos e vergonhas: 'Porque não me disse, porque é que conservou este segredo durante tanto tempo?'.
Obviamente, nem todos podem entender as nossas penas secretas. Mas acredito que, se realmente quisermos crescer em maturidade espiritual, Deus nos enviará os amigos de que necessitamos.
(…)
Muito do nosso isolamento é auto-assumido. Não gostamos de depender dos outros e, sempre que possível, tentamos demonstrar a nós mesmos que temos a situação controlada e podemos tomar as nossas próprias decisões. Esta auto-estima tem muitos atrativos. Oferece-nos uma sensação de poder, permite-nos decidir depressa, dá-nos a satisfação de sermos patrões de nós próprios e promete muitas outras alegrias e recompensas. No entanto, o lado obscuro dessa auto-estima é a solidão, o isolamento e o medo constante de não sermos capazes de nos realizar na vida.

Texto extraído de Mosaicos do Presente: Vida no Espírito, de Henri Nouwen.

Autor: Pr. Flávio F. Cardoso

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