O poder delegado aos discípulos

imagem de Flávio Cardoso
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Em nossa última lição, aprendemos que cada cristão está sujeito a uma cadeia de autoridade. Vimos o que a Bíblia ensina acerca da necessidade de nos submetermos tanto à autoridade de Deus quanto às pessoas que ele constituiu como autoridade sobre nossa vida: nossos governantes, nossos patrões, nossos pais, nossos maridos (no caso das mulheres), nossos pastores e todos os que exercem liderança no corpo de Cristo. É imprescindível compreender e viver isso. Se você ainda não estudou a lição "Autoridade espiritual", faça-o o quanto antes. O Ministério dos Grupo de Vida adverte: tentar aplicar a esta lição antes de viver a anterior poder fazer mal à sua saúde espiritual!

Conhecendo nossa autoridade

OK, estamos sujeitos a uma cadeia de autoridade. Mas essa cadeia não se encerra em nós, ou seja, mesmo o menor dos servos de Deus também deve exercer autoridade no mundo espiritual. Mas quem está debaixo de nossa autoridade?

"Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés [de Jesus] e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância." (Mateus 16:18)

"Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano. Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus." (Lucas 10:19-20)

"Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios;..." (Marcos 16:17a)

A Palavra é clara: o Pai concedeu toda a autoridade a Jesus, colocando todas as coisas debaixo de seus pés. Note que os pés de Cristo estão no seu corpo, ou seja, na igreja. Jesus, por meio da igreja, exerce autoridade sobre todas as coisas. Por isso ele se alegrou ao ver os discípulos exercendo autoridade sobre os demônios em seu nome (Lucas 10:21) e lhes asseverou que poderiam pisá-los e expulsá-los sem medo. Mas note: temos autoridade para expulsá-los em nome de Jesus. Os demônios não nos temem, mas temem a Jesus. Quando são expulsos em nome de Jesus, é o próprio Jesus quem, indiretamente, os expulsa. Por isso, eles saem.

Mas, ao mesmo tempo, o Senhor advertiu que os discípulos não deveriam se alegrar por terem autoridade sobre os espíritos. Afinal, essa autoridade é mera conseqüência de fazermos parte dEle, já que somos membros do seu Corpo. Enquanto estamos em Cristo, debaixo da cadeia de autoridade estudada na lição anterior, temos autoridade. Fora de Cristo, não temos nenhuma autoridade. O Senhor deixou isso claro quando disse: "Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma." (João 15:5).

Portanto, que ninguém se considere o "super-poderoso" e saia por aí ordenando que o sol pare ou que os montes se lancem ao mar. Quem se considera "poderoso" já está fora dEle, e não pode fazer mais nada. Nós não temos força: é Ele que tem, e exerce sua força por meio de nós.

Lembram-se da história de quando o Senhor Jesus montou num jumento e entrou em Jerusalém, recebendo os aplausos e os louvores de todo o povo (Mateus 21:1-11)? Imaginem se o jumentinho pensasse: "puxa, não imaginava que eu fosse tão importante. Olha como me aplaudem...". Tenhamos o cuidado de não nos comportarmos como o jumentinho pretencioso.

Da mesma maneira, não se considere pequeno demais para exercer autoridade em nome de Jesus. De fato, todos nós somos pequenos demais. Mas isso não importa, pois Ele é grande e poderoso, e é isso que importa no mundo espiritual. É com tristeza que afirmamos isso: a maior parte dos cristãos de hoje não tem coragem de exercer sua autoridade espiritual. Quanto são instados a fazê-lo, logo pedem auxílio de um pastor ou obreiro. Para estes, fica a pergunta que o Senhor fez aos seus discípulos:

E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? (Marcos 4:40)

Exercendo a autoridade

Ora, se temos autoridade para fazermos certas coisas em nome de Jesus, é claro que só devemos fazer, em seu nome, o que Ele deseja que seja feito. Não podemos usar o Nome para realizarmos coisas contrárias à Sua vontade. Vejamos alguns exemplos de situações em que devemos exercer a autoridade que nos foi confiada:

  • temos que expulsar demônios e curar enfermos em nome de Jesus: "Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai." (Mateus 10:8).
  • Todos nós recebemos autoridade para fazermos isso e devemos exercê-la (Marcos 16:16-18). Portanto, não podemos permitir que um enfermo freqüente nossas reuniões sem receber imposição de mãos para a cura. Se um demônio se manifestar, é porque não está mais conseguindo se esconder: tem que ser expulso. Sejamos corajosos e façamos a vontade do Senhor.

  • devemos prender o que deve ser preso e soltar o que deve ser solto: "Digo-lhes a verdade: Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu." (Mateus 18:18).
  • Esse verso costuma ser mal compreendido. "Ligar", aqui, não transmite a idéia de "acionar um interruptor", mas de "atar", "prender", "amarrar". Nos versos anteriores, o Senhor Jesus nos fala da situação em que a igreja decide sobre o destino de um membro. O que Ele quis dizer é: "o que vocês decidirem na terra terá sido decidido no céu". Que imensa responsabilidade! A igreja recebeu autoridade para afetar os destinos das pessoas e dos povos. Como poderemos exercer tamanha autoridade, se não estivermos intimamente sintonizados com o Espírito Santo?

  • devemos usar o nome de Jesus para abençoar e nunca para amaldiçoar: "Com a língua bendizemos o Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim! Acaso podem sair água doce e água amarga da mesma fonte?" (Tiago 3:9-11)
  • Sem dúvida, há situações na vida do cristão em que deseja usar sua autoridade espiritual para amaldiçoar quem o persegue. Mas o Senhor nos adverte a que não façamos isso: "Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não amaldiçoem." (Romanos 12:14).

Uma outra questão interessante é: quando exercer a autoridade espiritual? Há situações em que não temos uma direção clara de Deus e, portanto, não sabemos como proceder. Provavelmente foi esse o tipo de problema que Paulo vivenciou em Atos 16:16-18. A Bíblia nos fala que havia uma jovem endemoninhada que, durante vários dias, ficou perturbando Paulo e Silas, andando atrás deles e gritando: "Estes homens são servos do Deus Altíssimo e lhes anunciam o caminho da salvação". Até que Paulo, indignado, expulsou o demônio. Mas, por que Paulo demorou tanto para expulsar o demônio? Talvez porque estivesse aguardando a direção divina.

Também há ocasiões em que não conseguimos discernir muito bem o que ocorre conosco. Muitas vezes, o próprio Deus nos coloca em situações difíceis, para nos ensinar algo ou para nos disciplinar (Deuteronômio 8:5). Nesses casos, de nada adiantará usar a autoridade do nome de Jesus para ordenar que o mal se aparte. Ao contrário, é preciso termos calma e nos rendermos pacientemente ao Senhor, até que Ele fale e nos mostre o que precisamos fazer. Ele sempre fala!

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem." (João 10:27)

Por que a pressa? Nossa vida não está em Suas mãos? Tenhamos paciência para ouvirmos o que o Senhor tem a dizer. Haverá ocasiões em que nos revelará nossos erros e, nosso arrependimento trará o livramento do mal. Também haverá aquelas em que Ele nos dirá: "Isso é um dardo inflamado do maligno. Reaja! Exerça sua autoridade!". Então, não haverá nenhuma força do inferno que poderá nos resistir.

"E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus." (Mateus 16:18-19)

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