Orando de acordo com a Palavra

imagem de Flávio Cardoso
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Em nosso artigo Conhecendo algumas verdades bíblicas, aprendemos que estamos sujeitos à influência de princípios e leis espirituais, que nos são informados nas Escrituras Sagradas. Também vimos que tais princípios nos afetam sempre, mesmo que não os conheçamos. Pois bem, a Bíblia nos ensina alguns princípios relacionados à oração. A diferença entre a oração respondida e a não-respondida pode estar em conhecer ou não esses princípios.

Vamos voltar a um versículo que mencionamos na última lição:


"Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos." (Efésios 6:18)

A expressão "com toda oração" nos leva a entender que existem tipos diferentes de oração. Essa percepção é reforçada em I Timóteo 2:1-3:


"Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, ..." (I Timóteo 2:1-3)

A Bíblia não apresente uma relação fechada desses tipos de oração e, por isso mesmo, a classificação que vamos propor não deve ser entendida como única, imutável. Outros autores podem propor uma lista um pouco diferente. Mas, o importante é notarmos que os servos de Deus não oravam sempre da mesma forma. Ao contrário, em cada circunstância oravam de uma maneira diferente, com uma postura diferente. Com isso em mente, vamos pesquisar o que a Palavra nos revela sobre isso.

Há orações cujo alvo somos nós mesmos. Há outras cujo alvo é nosso próximo. E há outras que têm Deus como alvo. Nesta lição, trataremos das duas primeiras situações, deixando a terceira para a próxima lição.

Quando nós somos o alvo

Há certas orações que fazemos acerca de nós mesmos. São elas: a petição ou súplica, a consagração ou dedicação e a entrega.

Petição ou súplica

Trata-se de um pedido formal a um poder maior. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Ou seja, simplesmente pedimos a Deus que Ele cumpra aquilo que já sabemos ser a sua vontade! Por exemplo: suponha que estejamos passando por uma enfermidade, e temos vontade de pedir a Deus a nossa cura. Então, pensamos: "será que Deus quer nos curar"? Eis o que devemos fazer:

  1. Procurar se a vontade de Deus é revelada na Palavra. Após meditarmos nas Escrituras, descobrimos que Jesus levou sobre si as nossas enfermidades, e que pelas suas feridas nós fomos curados (I Pedro 2:24). Portanto, é SIM vontade de Deus nos curar;
  2. Conhecendo previamente a vontade de Deus, comparecemos diante dEle, já que temos pleno acesso em Cristo, e dizemos algo parecido com isso: "Senhor, eu sei que Tu velas pela Tua Palavra para cumpri-la. Veja Senhor, aqui em I Pedro 2:24 está escrito que pelas feridas de Cristo eu fui sarado. Então, peço-te que cumpra a Tua Palavra! Cura-me desse mal."

Esse tipo de oração é totalmente baseado nas promessas de Deus, reveladas nas Escrituras. Não se trata de fazer Deus concordar com o seu desejo, mas de descobrir o desejo de Deus e orar para que ele se realize. Quando não sabemos a vontade de Deus acerca de algo, também podemos pedir; mas teremos dificuldade em crer que obteremos o que pedirmos. Mas quando já sabemos a Sua vontade, é muito diferente: não há motivo para duvidar. Então, devemos nos agarrar com todas as forças às promessas de Deus e pedir com confiança, certos de que receberemos.


"Portanto, eu lhes digo: Tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá." (Marcos 11:24)

Mas alguém poderia perguntar: a oração de petição pode não ser atendida? A Palavra nos diz que sim, quando pedimos algo que está em desacordo com a vontade de Deus.


"Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres." (Tiago 4:3)

As Escrituras também nos revelam um outro exemplo muito instrutivo. Por três vezes o apóstolo Paulo pediu que Deus o livrasse de algo que ele chamou de "um espinho na carne"\footnote{O próprio Paulo explicou tratar-se de um mensageiro de Satanás que o atormentava (II Coríntios 12:7). Há quem prefira acreditar que era uma enfermidade.}. Deus disse que não iria livrá-lo. Será que Paulo pediu mal, para gastar em seus prazeres? Será que seu pedido era afrontava as Escrituras? Será que pediu sem fé? Certamente que não! Simplesmente, ele pediu algo que era contrário à vontade específica de Deus para ele. Por isso, Deus não apenas negou o seu pedido, mas lhe explicou o motivo de tê-lo negado. Então, o apóstolo se rendeu à vontade do Pai, embora fosse diferente da sua.

A experiência do apóstolo Paulo não deve esvaziar a nossa fé, mas aumentá-la. Compareceremos à sala do trono com a Bíblia aberta e pediremos a Deus que cumpra Sua Palavra, com a certeza de que Ele nos atenderá, exatamente como Paulo fez. Se, por acaso, Deus se opuser ao que pedirmos, ele nos explicará o motivo. Nesses casos, que são exceção e não regra, nos renderemos à sua vontade. Nossa oração de petição se transformará numa de consagração.

Consagração ou dedicação

Há ocasiões em que não sabemos a vontade de Deus acerca de algum assunto ou circunstância. Então, esperamos que ela nos seja revelada, numa atitude de rendição, busca e submissão. Quando a direção finalmente vem, obedecemos. Nos casos em que nossa vontade conflitar com a de Deus, teremos que abrir mão da nossa. Esse é o tipo de oração que Jesus fez no Getsêmane:


"E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres." (Marcos 14:36)

Essa oração é muito diferente de uma petição. Jesus não estava, realmente, pedindo que o Pai o livrasse da cruz. Estava se submetendo à vontade do Pai, embora isso lhe fosse doloroso.

Entrega ou descanso

Muitas vezes nos deparamos com situações que nos inquietam sobremaneira. Há problemas que são maiores do que nós e que, por mais que nos esforçemos, simplesmente não conseguiremos resolver. Nestes casos, o que devemos fazer? Transferir esses problemas para quem tem condições de resolvê-lo. Devemos sempre lançar os pesados fardos a quem tem condições de carregar:


"Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós." (I Pedro 5:7)

Eis o que gosto de fazer quando me deparo com problemas desse tipo: estendo minhas mãos, como se estivesse com os problemas nas suas palmas. Em seguida, descrevo-os detalhadamente a Deus. Ao final, digo: "Deus, como bem podes ver, esses problemas são grandes demais para mim. Então, os estou lançando para Ti!" Nesse instante, fecho as mãos e arremeço, simbolicamente, em direção ao céu. Pronto. Agora, os problemas não são mais meus e não permito que voltem a povoar minha mente.

Deus se agrada quando os seus servos descansam nEle, depositando toda a sua confiança na Palavra de Deus. A oração de entrega certamente livraria muitos crentes de úlceras, pressão alta, insônias, gastrites, enxaquecas e outros males que os afligem. Não permitamos que a ansiedade e as preocupações destruam nossa vida física e espiritual. Descansemos no Senhor (Salmo 37:4-5).

Quando o próximo é o alvo

Intercessão

Nesse tipo de oração, nos dirigimos a Deus como um advogado, a levar a causa de outra pessoa. Nos colocamos no lugar de outro e pleiteamos a sua causa como se fosse nossa. Como lemos no \hyperref[chap:10]{início} desta lição, precisamos estar atentos e perseverar na oração por todos os santos (Efésios 6:18).

A Bíblia nos mostra vários exemplos maravilhosos desse tipo de oração. Gostaria de citar dois muito especiais: Moisés intercedendo pelo povo de Israel, para que Deus não o destruísse (Êxodo 32:9-14); Abraão intercedendo por Sodoma e Gomorra, para que Deus não destruísse os justos com os injustos (Gênesis 18:20-33). Note que esses homens não apenas pediram o livramento, mas também argumentaram com o Senhor, convencendo-o a mudar a sorte daqueles por quem intercediam. Deus procura verdadeiros intercessores que se coloquem entre Ele e os povos da Terra (Ezequiel 22:30-31).

É curioso notar que até o cumprimento de certas profecias depende de intercessão. Quando Israel foi levado cativo à Babilônia, Jeremias profetizou que o cativeiro duraria 70 anos. E o que ocorreu após esse período? Israel voltou automaticamente? Não! Primeiro Deus levantou Daniel para interceder em favor de Israel, pelo fim do cativeiro. Só então, ele terminou.

Muitas vezes, o próprio Deus lança sobre alguns de seus servos um peso sobrenatural de intercessão por pessoas, igrejas, cidades etc. Então, as pessoas que recebem essa incumbência se põem a orar fervorosamente e milagres acontecem. As histórias dos reavivamentos recentes descrevem esse tipo de ocorrência. Peçamos a Deus que levante intercessores em sua casa e que derrame do seu imenso amor em nosso meio. Somente o amor de Deus pode nos levar a pagar o preço de oração pelos nossos irmãos. E esse tipo de oração é fundamental para o crescimento da Igreja.

Questões para meditar

  1. O que você acha de fazer uma oração de petição e, ao final, dizer a Deus: "entretanto, não se faça a minha vontade mas a Tua."?
  2. O texto de Mateus 6:25-34 nos inspira a fazer que tipo de oração?
  3. Se você precisa receber uma bênção específica, compartilhe com o seu Grupo de Vida. Talvez exista uma promessa de Deus acerca dela, na Bíblia, que lhe sirva de base para uma oração de petição.
  4. De que maneira poderíamos fazer para que os membros do Grupo de Vida orassem uns pelos outros, todos os dias?

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