alegria

imagem de Flávio Cardoso

Alegria e tristeza (parte 2)

Textos bíblicos

  • Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. (Lm 3:19-22)
  • Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um. (Cl 4:5-6)
  • Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. (Fp 4:8)
  • Dediquem-se à oração, estejam alertas e sejam agradecidos. (Cl 4:2)

Falando do Sol

A alegria é contagiante; exatamente como o é a tristeza. Eu tenho um amigo que irradia alegria, não porque a sua vida seja fácil, mas porque habitualmente ele reconhece a presença de Deus no meio de todos os sofrimentos humanos, o seu e o dos outros. Onde quer que vá, seja quem for que encontre, ele é capaz de ver e ouvir sempre algo de belo, algo de que dar graças. Ele não nega a grande tristeza que o envolve, nem é cego ou surdo aos sinais e sons de agonia dos seus companheiros de existência, mas o seu espírito gravita em direção à luz no meio da escuridão e das preces, no meio dos gritos de desespero. O seu olhar é gentil, a sua voz é calma. Não se trata de sentimentalismo. É uma pessoa realista, mas a sua fé profunda permite-lhe descobrir que a esperança é mais real que o desespero, a fé mais real que a descrença e o amor mais real que o medo. É este realismo espiritual que faz dele um homem tão alegre.

Sempre que me encontro com ele, não resisto à tentação de lhe chamar a atenção para as guerras entre as nações, para a fome de milhares de crianças, para a corrupção na política e a falsidade entre as pessoas procurando assim impressioná-lo com os últimos fracassos do gênero humano. Mas, sempre que experimento fazer uma coisa destas, ele olha para mim com o seu olhar gentil e cheio de compaixão e diz: "Eu vi duas crianças partilharem o seu pão uma com a outra e ouvi uma mulher dizer 'obrigada' e sorrir quando alguém lhe ofereceu um cobertor. Estas pessoas simples e pobres deram-me nova coragem para continuar a viver".

A alegria do meu amigo é contagiante. Quanto mais estou com ele tanto mais consigo captar raios de Sol e brilhar por entre as nuvens. Sim, eu sei que o Sol existe, mesmo quando os céus estão cobertos com nuvens. Enquanto o meu amigo falava sempre do Sol, eu continuava a falar das nuvens; até que um dia cheguei à conclusão de que era graças ao Sol que eu conseguia ver as nuvens.

Os que continuam a falar do Sol enquanto caminham sob um céu cheio de nuvens são mensageiros de esperança, os verdadeiros santos dos dias de hoje.

Surpreendidos pela alegria

Nós somos surpreendidos pela alegria ou pela tristeza? O mundo em que vivemos quer surpreender-nos pela tristeza. Os jornais continuam a falar-nos de acidentes de trânsito, assassinatos, conflitos entre indivíduos, grupos e nações, e a televisão enche-nos a cabeça de imagens de ódio, violência e destruição. E nós dizemos uns aos outros: "Você viu aquilo, você ouviu aquela... não é terrível... não é inacreditável?" Com efeito, parece mesmo que o poder das trevas quer continuar a surpreender-nos com a tristeza humana. E essas surpresas paralisam-nos e, ao mesmo tempo, seduzem-nos no sentido de uma existência em que a nossa principal preocupação é a sobrevivência no meio de um mar de tristezas. Ao fazer com que pensemos em nós mesmos como sobreviventes de um naufrágio, ansiosamente agarrados a uma tábua de salvação, pouco a pouco acabamos por aceitar o papel de vítimas condenadas pelas crueis circunstâncias da vida.

O grande desafio da fé é sermos surpreendidos pela alegria. Recordo-me de uma vez em que estava sentado à mesa de jantar com alguns amigos discutindo sobre a depressão econômica do país. Continuávamos a amontoar estatísticas que nos convenciam cada vez mais de que as coisas não podiam senão piorar. Então, de repente, o filho de quatro anos de um dos meus amigos abriu a porta, correu para o pai e disse-lhe: "Olha, pai! Olha! Encontrei um gatinho no jardim... Olha!... Não é lindo?" E, enquanto mostrava o gatinho ao pai, o menino acariciava-o com as mãos e apertava-o contra a face. Tudo mudou de repente. O pequenino e o gatinho tornaram-se o centro das atenções. Houve sorrisos, carícias e muitas palavras de ternura. Enfim, fomos surpreendidos pela alegria!

Deus fez-se um menino no meio de um mundo violento. Seremos nós surpreendidos pela alegria ou continuaremos a dizer: "Sim, é bonito e terno, mas a realidade é diferente"? E que tal se a criança nos revelasse aquilo que, efetivamente, é a realidade?


Sugestões para reflexão nos Grupos

  • Como lemos no texto acima, há pessoas que sempre procuram buscar motivos para louvar a Deus em toda e qualquer circunstância. Por outro lado, há pessoas que estão sempre se queixando de problemas. Faça uma oração SILENCIOSA, pedindo a Deus que te revele se você é uma pessoa que louva mais ou uma que reclama mais.
  • Agora, Deus vai atender ao seu pedido, por meio de algum irmão do Grupo de Vida. Peça ao seu irmão da direita que faça uma avaliação SINCERA de você. Se ele não o conhecer suficientemente bem para fazer essa avaliação, peça-o a algum outro irmão.
  • No dia de hoje, você fez alguma oração de agradecimento, de louvor ou de adoração a Deus? (Não vale o período de louvor no GV). Se não fez, o que você acha disso?
  • Todos queremos que os outros vejam Cristo em nós. Quando mantemos uma atitude pessimista quanto ao mundo, sendo sempre "surpreendidos pela tristeza", conseguimos refletir a imagem de Cristo no mundo?

Theme by Danetsoft and Danang Probo Sayekti inspired by Maksimer