alegria

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Alegria e tristeza (parte 1)

Resolvi postar uma série de textos para reflexão em grupo explorando o tema Alegria e tristeza. Vou me basear em textos de um autor de que gosto muito, chamado Henri Nouwen, extraídos de seu livro "Mosaicos do Presente -- Vida no Espírito" (Paulinas, 2006, 4ª Edição). Minha contribuição será apenas a de sugerir textos bíblicos para leitura, além de sugerir perguntas para discussão nos grupos. Lembrem-se de que vocês não estão restritos às perguntas que eu formulo. Podem elaborar outras.

Que Deus os abençoe.

Pr. Flávio Cardoso


Textos bíblicos

  • Digo-lhes que certamente vocês chorarão e se lamentarão, mas o mundo se alegrará. Vocês se entristecerão, mas a tristeza de vocês se transformará em alegria. A mulher que está dando à luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter nascido no mundo um menino. Assim acontece com vocês: agora é hora de tristeza para vocês, mas eu os verei outra vez, e vocês se alegrarão, e ninguém lhes tirará essa alegria. (Jo 16:20-22)
  • Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se! (Fp 4:4)
  • Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus. (Fp 4:6-7)
  • Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. (Fp 4:12)

Alegria e Tristeza

A alegria é essencial à vida espiritual. Seja o que for que pensemos ou digamos acerca de Deus, se não estivermos alegres, os nossos pensamentos e palavras não podem produzir frutos. Jesus revela-nos o amor de Deus para que a sua alegria seja a nossa e para que a nossa alegria seja completa. A alegria é a experiência de saber que somos amados incondicionalmente e que nada --- doenças, fracassos, quebras emocionais, opressão, guerras ou mesmo morte --- pode privar-nos desse amor.

A alegria não é o mesmo que contentamento. Podemos sentir-nos pouco contentes em relação a muitas coisas, mas, mesmo assim, a alegria lá está, porque provém da certeza do amor de Deus por nós. Somos levados a julgar que, quando estamos abatidos, não podemos viver na alegria; mas, numa pessoa com a vida centrada em Deus, a tristeza e a alegria podem conviver. Isso não é fácil de entender, mas, quando pensamos em algumas das nossas experiências de vida mais profundas, como sejam, por exemplo, o nascimento de uma criança ou a morte de um amigo, uma grande tristeza e uma grande alegria parecem com frequência fazer parte da mesma experiência.

É frequente descobrirmos a alegria no meio da tristeza. Eu recordo os tempos mais tristes da minha vida como sendo oportunidades em que tomei maior consciência de alguma realidade espiritual muito maior que eu próprio, uma realidade que me permitiu viver a dor com esperança. Atrevo-me mesmo a dizer: "A minha angústia foi precisamente o lugar onde encontrei a alegria". Seja como for, nada acontece automaticamente na vida espiritual. A alegria não é algo que acontece assim sem mais nem menos. Temos que escolher a alegria e continuar a escolhê-la todos os dias. É uma escolha baseada no conhecimento de que encontramos em Deus o nosso refúgio e segurança e de que nada, nem sequer a morte, nos pode separar de Deus.

Escolha

Pode parecer estranho dizer que a alegria é o resultado das nossas escolhas. Com frequência imaginamos que algumas pessoas têm mais sorte do que outras e que a sua alegria ou tristeza dependem das circunstâncias da sua vida --- sobre a qual não têm controle.

No entanto, temos uma hipótese de escolha, não tanto em relação às circunstâncias da nossa vida, quanto em relação à maneira como reagimos a essas circunstâncias. Duas pessoas podem ser vítimas do mesmo acidente. Para uma, ele torna-se motivo de ressentimento, para outra motivo de gratidão. As circunstâncias externas são as mesmas, mas a opção pela forma de reagir é completamente diferente. Algumas pessoas tornam-se ásperas à medida que envelhecem, outras envelhecem alegremente. Isso não significa que a vida daqueles que se tornam ásperos tenha sido mais dura do que a daqueles que se tornam alegres. Significa que foram feitas diferentes escolhas, escolhas interiores, escolhas do coração.

É importante nos dar conta de que em cada momento da nossa vida temos a oportunidade de escolher a alegria. A vida tem muitas facetas. Há sempre facetas tristes e alegres na realidade que vivemos. E, por isso, temos sempre a possibilidade de viver o momento presente como causa de ressentimento ou como causa de alegria. É na escolha que reside a nossa verdadeira liberdade. E esta liberdade, em última análise, é a liberdade de amar.

É capaz de ser uma boa ideia perguntarmos a nós mesmos como é que desenvolvemos a nossa capacidade de optar pela alegria. Talvez possamos reservar alguns momentos no final do nosso dia, para ver como é que o passamos --- seja o que for que tenha acontecido --- e agradecer a oportunidade de o ter vivido. Se assim fizermos, aumentaremos a capacidade do nosso coração para optar pela alegria. E, ao construirmos um coração mais alegre, nos tornaremos, sem nenhum esforço extraordinário, fonte de alegria para os outros. Assim como a tristeza origina tristeza, assim a alegria origina alegria.


Perguntas para discussão

  • De onde provém a alegria perene do cristão? Da certeza de que Deus o livrará de todos os seus problemas?
  • Em Filipenses 4, Paulo orienta os cristãos a não andarem ansiosos, apresentando em tudo os seus pedidos a Deus. Por outro lado, Paulo afirma ter aprendido a andar contente em qualquer situação: alimentado ou com fome, na fartura ou na escassez. Quando você passa por dificuldades, a que você se dedica mais: pedir a Deus que o livre das dificuldades, ou buscar alegrar-se em meio às dificuldades?
  • Suponha a seguinte situação: você tem dois filhos que pediram presentes de Natal, mas você não pôde comprar os presentes que eles pediram; então, comprou outros presentes. Ao receber o seu presente, o primeiro filho ficou emburrado por não ter recebido o presente que esperava. O outro superou rapidamente o desapontamento e começou a brincar com o presente recebido. Como você lidaria com as reações desses filhos?
  • O que você acha da ideia do autor, de que a alegria ou a tristeza são resultado de suas escolhas, ou seja, da maneira como você escolhe reagir diante das adversidades? À luz disso, como você avalia o texto de Filipenses 4:4?
  • No último parágrafo do texto, o autor sugere uma rotina de reservarmos alguns momentos, ao final do dia, para avaliar como o passamos, como reagimos diante das coisas boas e ruins que aconteceram. Que tal colocar em prática essa ideia? Comprometa-se, com algum irmão ou irmã do Grupo, a fazer isso. Na próxima semana, compartilhe suas experi?ncias com o Grupo.

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