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imagem de Flávio Cardoso

Muitos fracos e doentes

Textos bíblicos

  • Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se o homem a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice.  Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação. Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram. Mas, se nós nos examinássemos a nós mesmos, não receberíamos juízo. Quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo. (I Coríntios: 11:27-32)
  • Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos. (Oseias 4:6)
  • Vocês se esqueceram da palavra de ânimo que ele lhes dirige como a filhos: "Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho". (Hebreus 12:5-6)

 


Os textos acima nos alertam para uma possibilidade real, e que muitos preferem ignorar, tapando o sol com a peneira. É possível que haja, entre nós, muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. É possível que alguns dentre nós estejam sendo destruídos por falta de conhecimento das leis de Deus.

Muitos preferem não acreditar nessa possibilidade. Acreditam em regras do tipo: "se você orar, fizer jejum, for um bom religioso, nenhum mal te alcançará". Acham que, de tanto repetir essas bobagens, elas acabarão se tornando verdade. Mas a verdade, doa a quem doer, é que essas construções intelectuais não resistem ao sopro das Sagradas Escrituras.

É óbvio que todos nós estamos sujeitos a sermos provados, passarmos por desertos, por fome, frio, tribulações, angústias, perseguições etc. Se aconteceu com os melhores apóstolos, por que não aconteceria conosco? E, se acontecer, nem por isso perderemos nossa paz, pois: "...em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Romanos 8:37). O deserto não pode vencer aqueles que estão firmes em Cristo: eles sempre saem do outro lado do deserto melhores do que entraram. Os cristãos espirituais, maduros, recebem os períodos de dificuldade como bênção, como oportunidade de carregar a própria cruz, negando-se a si mesmo e mortificando o velho homem, para que o novo seja fortalecido pelo poder de Deus.

Mas não é desse tipo de cristão poderoso em Cristo, que transpõe desertos, que Paulo está falando em I Coríntios 11. Os "fracos e doentes", de que fala, são aqueles que estão sendo castigados, julgados, disciplinados pelo Senhor. Existe uma grande diferença entre carregar a cruz e ser castigado. A cruz não é o mesmo que castigo. Negar-se a si mesmo e carregar a cruz é algo voluntário. A cruz sempre pode ser evitada. O castigo de Deus, por sua vez, é inevitável. O castigo é um ato de Deus; levar a cruz é uma ação do cristão. A cruz é o sofrimento que o cristão padece em consequência do fato de seguir a Cristo em perfeita obediência. Já a disciplina de Deus é sempre consequência da desobediência.

Jonas, fugindo da vontade de Deus, sofreu com a fúria do mar da mesma forma que Paulo, o qual se achava no centro da vontade de Deus. Jonas estava sendo castigado por Deus. Paulo, por outro lado, estava carregando sua cruz.

Iludimo-nos a nós mesmos quando consideramos que os justos castigos que recebemos são a cruz que precisamos carregar. Não podemos nos regozijar por aquilo de que, ao contrário, deveríamos nos arrepender.

Existem leis de Deus que não podemos desconhecer e nem transgredir, sob pena de sermos disciplinados pelo Pai.

Voltemos ao texto de I Coríntios 11:27-32. Paulo nos mostra um ato de desobediência que acaba levando muitos crentes a serem castigados: comer do pão e beber do cálice sem discernir o Corpo do Senhor. Nos dias de hoje, talvez mais do que nunca, muitos de nossos irmãos têm sido disciplinados por causa desse gravíssimo pecado.

Mas, o que significa "comer do pão e beber do cálice sem discernir o Corpo do Senhor"? O mais trágico, é que muitos incorrem nesse grave pecado, sem nem mesmo perceberem que estão pecando.

O pão que comemos na Santa Ceia representa o Corpo de Cristo, e o vinho representa o seu sangue. Imagine um pão inteiro. Enquanto está inteiro, o pão é um só. Ele representa o Filho único de Deus, Jesus Cristo. Agora imagine que esse pão é partido em muitos pedaços, os quais são colocados numa única bandeja. O pão ainda está todo ali, naquela bandeja, porém foi partido em vários pedaços. Se conseguíssemos unir todos os pedacinhos, teríamos o pão original de volta. Agora, imagine que várias pessoas, no interior de uma sala, comam todos os pedaços do pão, de modo que a bandeja fique vazia. Depois de comerem, as pessoas continuam na sala. Pergunto: onde está o pão? Ora, ele ainda está na mesma sala, dentro das pessoas que o comeram. Se essas pessoas se dispersarem, o pão se dispersará. Sempre que voltarem a se reunir, o pão estará ali, no local da reunião. Mas, se faltar uma pessoa, o pão não estará completo naquele local.

Jesus é o Pão vivo que desceu do céu. Quando ressuscitou, o Senhor soprou o Espírito Santo sobre nós, os seus discípulos. Jesus repartiu o seu Espírito entre nós. É como se um "pedaço" vivo, invisível, de Cristo tivesse passado a viver dentro de cada um de nós. Quando comemos a Ceia do Senhor, estamos afirmando, simbolicamente, que Jesus está no nosso meio. Afinal, cada um de nós tem um "pedaço" de Cristo vivendo em si mesmo. Quando nos reunimos, todos os "pedaços" se juntam novamente, e o Pão vivo está conosco. Por isso, as palavras do Mestre: "Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles" (Mateus 18:20). O mundo só pode reconhecer a presença do Pão vivo, quando todos os pedaços estiverem juntos: "para que todos sejam um, Pai, ...para que o mundo creia que tu me enviaste" (João 17:21).

Então, cada vez que rejeitamos um irmão, por qualquer motivo, estamos rejeitando o "pedaço" de Cristo que vive dentro dele. Estamos impedindo que o Pão vivo apareça. Cada irmão em Cristo é absolutamente necessário, pois carrega um "pedaço" do Cristo Vivo. Não importa se as opiniões dele estão corretas ou não, se ele é simpático ou não, se é nosso amigo ou não. Se ele carrega Cristo, deve ser amado por causa do que ele carrega. Comer o pão sem discernir isso é pecado.

Mas isso não é tudo. Os "pedaços" de Cristo, a medida em que vão se reunindo, vão formando o próprio Cristo. É como se o Pão original, que foi repartido, voltasse a ser um só. O Espírito Santo, fluindo no meio dos irmãos, vai unindo os "pedaços" com perfeição, fazendo com que cada irmão exerça uma certa função: um se torna a mão, outro o pé, outro o ouvido, outro o olho. De repente, a igreja reunida se torna a perfeita representação de Cristo no mundo.

Se o olho adoece, todo o Corpo fica cego. Se a mão resolve destruir o pé, todo o Corpo fica perneta. Cada vez que um discípulo de Cristo tem problemas, todo o Corpo de Cristo sofre com esse problema.

Então, discernir o Corpo de Cristo é compreender o quão preciosa é a vida de cada irmão. O Corpo só é completo quando todos os membros, mesmo aqueles que consideramos insignificantes, estiverem unidos. Não não somos, individualmente, o Corpo de Cristo, mas apenas membros desse Corpo. Então, precisamos verdadeiramente uns dos outros.

Diante disso, o que dizer daqueles que continuamente lutam contra seus irmãos em Cristo? E quanto àqueles que guardam mágoas e ressentimentos dos seus irmãos, de modo que não conseguem se aproximar deles? Será que estão discernindo corretamente o Corpo do Senhor?

Infelizmente, eu arriscaria dizer que a maior parte daqueles que se dizem evangélicos, frequentam igrejas, dão dízimo, etc. não conseguem discernir o Corpo do Senhor. Assistem cultos, mas não se preocupam com a saúde espiritual dos membros do Corpo e nem com a necessidade de desempenhar a sua própria função no Corpo. A igreja é vista não como um organismo vivo, o Corpo de Cristo, mas como um supermercado onde se adquirem bênçãos. Se o "supermercado" não agradar mais, é só trocar por outro. Por isso, vivem pulando de igreja em igreja. Como um consumidor em busca das melhores ofertas, esses cristãos tolos às vezes frequentam várias igrejas ao mesmo tempo, sem se envolver com nenhuma delas. Pobres coitados! Acham que são portadores de toda a plenitude de Cristo, e não apenas de um "pedaço". Literalmente, pensam ter o "Rei na barriga". Esquecem-se que a plenitude de Cristo é a Igreja (Efésios 1:22-23).

Essa atitude perigosa, de brincar de Igreja sem discernir o Corpo do Senhor, tem gerado muitos cristãos fracos e doentes. Que Deus nos livre disso!

Encerro essa reflexão contando uma história real e trágica, a qual aconteceu com alguns crentes do passado, que não souberam discernir o Corpo do Senhor.

Um grupo de diáconos e obreiros começou a discordar do pastor da igreja. Passaram a se reunir para criticar o pastor. Até que resolveram arquitetar um plano para expulsar o pastor da igreja. Fizeram uma assembleia na qual manipularam os membros, de modo que a maioria votou pela expulsão do pastor. O pastor, um homem muito manso, não se defendeu. Saiu humildemente da igreja, carregando sua cruz, acompanhado de alguns irmãos que o apoiaram, e fundou outra igreja.

Muitos anos depois, eis as tragédias que acometeram aqueles que comeram o pão sem discernir o Corpo do Senhor:

  • Diácono A: sua filha foi acometida por uma doença renal e faleceu com cerca de 30 anos.
  • Diácono B: tinha 2 filhos e uma filha. Um deles, bem casado, suicidou-se, deixando uma pequena filha órfã. O outro filho enlouqueceu. A filha, belíssima, casou-se; mas o marido adulterou e o casamento acabou.
  • Obreiro C: tinha um filho que era exímio pianista da igreja. Porém, o rapaz tornou-se homossexual assumido e abandonou a fé. Seu outro filho, casado, viu o casamento naufragar.
  • Obreiro D: sua filha, belíssima, casou-se com um pastor. Mas seu marido adulterou, o casamento acabou, e a mulher abandonou a fé.
  • Obreiro E: abandonou um casamento de mais de 20 anos e passou a viver com sua prima.

"Mas, se nós nos examinássemos a nós mesmos, não receberíamos juízo. Quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo."

 


Sugestões para reflexão em grupo

 

As perguntas abaixo podem ser compartilhadas nos grupos de pastoreio mútuo (3 ou 4 irmãos):

  1. Houve alguma parte desse texto que tocou em seu coração? Você acha que não tem discernido o Corpo de Cristo? A Bíblia nos orienta da seguinte forma: "Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para
    que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos"
    (Tiago 5:16). Então, confesse aos seus irmãos e peça que orem por você.
  2. Você, que está passando por alguma luta, tem dúvidas se está sendo castigado ou se está carregando a cruz? Exponha seu problema perante seus irmãos. O grupo deve permanecer em oração por alguns minutos, para ouvir a voz de Deus sobre a questão. Em seguida, deve aconselhar o irmão.

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