arrependimento

imagem de Flávio Cardoso

Os altos e baixos da vida cristã

Em nossa vida cristã, todos parecemos viver numa gangorra: ora estamos lá em cima, ora lá embaixo. Para muitos, essa “montanha russa” espiritual é muito frustrante. Se você também se sente decepcionado consigo mesmo por causa da sua inconstância, essa meditação é para você.

O ciclo da vida cristã

O topo

Quando eu era adolescente, adorava ir a retiros espirituais da igreja. Eram dias de grande avivamento e me lembro muito bem que, na semana seguinte ao retiro, eu me tornava extremamente consciente da presença de Deus. Minha sensibilidade espiritual era muito aumentada. Percebia claramente a voz de Deus e notava o seu mover nos acontecimentos do dia a dia. Falamos com o Senhor a todo o momento. Encontrava-O nas Escrituras com assiduidade. As lágrimas brotavam a todo momento, só de pensar nEle.

Hoje em dia, raramente vou a retiros. Mas há outros acontecimentos que podem levar a esse reavivamento: uma reunião da igreja em que o Espírito Santo se mova de modo especial, um livro edificante, o testemunho de um milagre etc.

A descida

Infelizmente, nossos dias de grande sensibilidade às coisas de Deus não duram muito tempo. Dia após dia, vamos sendo envolvidos por nossas tarefas diárias, que desviam nossa atenção do Pai. Trabalho, estudo, cuidado com o cônjuge, com os filhos, diversão, malhação etc. Deus vai deixando de ser nossa prioridade. Mesmo que mantenhamos nossa vida devocional, com orações e leituras diárias, não conseguimos nos lembrar do Senhor com a mesma frequência e nem com a mesma intensidade de antes. As lágrimas vão se tornando mais e mais raras. Nossa vida tende à rotina religiosa.

O vale

Com o tempo, Deus vai sendo completamente eliminado do nosso dia a dia. Isso não significa, de maneira alguma, que tenhamos negado nossa fé ou que tenhamos abandonado a vida cristã. Alguns poucos até a abandonam mesmo, mas não é para eles que direciono esse texto.

Também não significa que Deus não continue nos abençoando, nos sustentando, nos protegendo etc. Só que nós já não O percebemos mais. Deixamos de ter a consciência da sua presença e do seu amor. A rotina religiosa, ao tempo em que nos conforta por sabermos que estamos “no caminho certo”, nos aprisiona nesta zona de conforto. Cremos que vamos para o céu um dia, mas não conseguimos viver esse céu aqui, hoje. Não há mais lágrimas de amor, nem milagres, nem novas experiências com Jesus. Apenas a memória das velhas experiências. A doce Presença se foi.

A dura subida

Depois de uma temporada no vale, o Espírito Santo nos faz despertar desse estado de entorpecimento. Tomamos consciência de nossas próprias misérias e percebemos o quanto estamos distantes de Deus. Olhamos para a imensa subida à nossa frente e ficamos desanimados. Nós, que estávamos lá no topo, agora teremos que subir tudo de novo!

Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que  praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu  candelabro do seu lugar.
(Apocalipse 2:4-5)

Muitos olham para essa imensa subida e demoram até encontrar forças para subir. Você já viu esses programas de TV onde gordinhos competem pra ver quem emagrece mais? Imagine uma dessas pessoas que, depois de meses de malhação e dieta sofridas, consegue perder 40 kg. Mas depois relaxa e engorda tudo novamente. Pense no seu desânimo em recomeçar a dieta e a malhação. É mais ou menos assim que nos sentimos.

Que tal um atalho para o topo?

O desânimo paralisante que nos impede de voltar ao topo não vem de Deus, mas do diabo. Auto-acusação, remorso, sentimento de perda são emoções que não produzem resultados positivos.

Se percebemos que estamos no vale, a primeira coisa a fazermos é darmos graças a Deus por ter nos mostrado isso. É o Espírito Santo em nós que nos faz despertar. É Ele quem nos chama novamente à preciosa comunhão. Ele está com saudades...

A segunda coisa a fazermos é nos arrependermos de nosso pecado, da nossa negligência, que nos fizeram abandonar o relacionamento íntimo com Deus.

Arrependeu-se? Então creia que Deus já o perdoou:

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. (1 João 1:9)

Ele não perdoa porque merecemos. Perdoa-nos porque, ao olhar para nós, lembra-se de que Jesus Cristo foi sacrificado por nosso pecado. É por causa de Jesus que somos perdoados.

Convença-se de uma coisa: por mais tempo que consigamos ficar no topo da espiritualidade, mais cedo ou mais tarde cairemos. Nossa natureza é má, corrompida, degenerada. Não há nada que possamos fazer contra ela, a não ser mantê-la mortificada. Mas de vez em quando ela revive e a gente peca. É o que nos diz o apóstolo João:

Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. (...) Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós. (1 João 1:8,10)

Então, de nada adianta ficar lamentando por não conseguir ser perfeito, não conseguir se perpetuar no topo. O arrependimento deve ser sincero e agudo, com lágrimas e dor. Mas ele tem que levar à cura, ao perdão. As lágrimas que rolaram precisam ser enxugadas. É preciso levantar e sacudir a poeira. Quanto mais rápido você superar a etapa do arrependimento, melhor. Creia no perdão e siga em frente, confiante de que Deus te receberá, não por sua causa, mas por causa de Cristo.

O próximo passo é reconhecermos pela fé que, embora tenhamos parado de perceber a presença de Deus, não estamos longe dEle. Na verdade, estamos tão perto dEle quanto a sua mão está perto de você. Nós estamos nEle.

Naquele dia compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês. (João 14:20)

Você está nEle quando:

  • sente a presença de Deus;
  • deixa de sentir a Presença;
  • está louvando na igreja;
  • está jogando futebol, lavando a louça, dirigindo o carro, dando banho nos meninos etc.

Nada altera nossa condição. Nada pode nos separar do amor eterno do nosso Deus:

Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 8:38-39)

Então, o que parece uma subida imensa e intransponível é, na realidade, falta de fé nas Escrituras. Aqueles que tentam chegar ao Pai por meio de suas obras de justiça realmente estão diante de uma escalada impossível. Mas aqueles que confiam na graça só precisam reavivar, em suas mentes e corações, a verdade das Escrituras. Nós estamos nEle! ALELUIA!!!

No instante em que essa verdade se apodera de nosso coração, nossos olhos se abrem e percebemos que a imensa subida até Deus já não mais existe. Jesus escalou a montanha por nós, subiu ao Monte Santo, à Sião Celestial, entrou no Santo dos Santos e está diante do Pai.

E nós? Onde estamos? Ah, sim, nós estamos nEle. Fazemos parte dEle. Somos membros do seu corpo. Onde quer que Ele esteja, ali também estamos.

Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará. (João 12:26)

Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo. (João 17:24)

Conclusão

Os altos e baixos da vida cristã são inevitáveis. Lutaremos sempre para permanecer no topo o máximo que pudermos. Mas em algum momento cairemos, por causa de nossa natureza pervertida.

Mas o retorno ao topo não tem que ser demorado, como o diabo tenta nos convencer. É imediato. Basta que nos arrependamos e nos posicionemos, pela fé, em Cristo. Nossa queda, na verdade, não representa um afastamento real de Deus, mas apenas a perda temporária da percepção de que estamos nEle.

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