oração

imagem de Flávio Cardoso

Igreja A ou Igreja B?

Imaginemos duas igrejas onde todos os membros orassem 1 (uma) hora por dia. Vamos chamá-las de Igreja A e Igreja B. Com certeza, tais igrejas seriam o sonho de qualquer pastor, não acham? Todos conhecemos os benefícios de uma rotina diária e disciplinada de oração para a vida cristã. Por outro lado, sabemos que são poucos os irmãos que conseguem ter essa rotina abençoada. Imaginem como essas duas igrejas seriam maravilhosas!

Mas, continuando nosso exercício de imaginação, vamos supor que as Igrejas A e B tivessem uma diferença entre si. Enquanto na Igreja A cada um ora apenas por si mesmo, na Igreja B ninguém ora por si mesmo: cada um ora pelos demais.

À primeira vista, essa diferença não parece tão importante. Afinal, em ambas as igrejas todos os irmãos recebem oração. Alguns talvez até pudessem sugerir que a Igreja A é a melhor pois, afinal, quem ora melhor por uma pessoa do que ela mesma? Mas o que a Bíblia nos ensina sobre isso? Vejamos.

Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz. (Tiago 5:16, NVI)

Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. (Efésios 6:18, NVI)

Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo. (Gálatas 6:2, NVI)

Esses poucos versículos são suficientes para compreendermos que a vontade de Deus, para sua Igreja, é que ela seja como a Igreja B. Por que será? Quais serão as consequências se a Igreja do Senhor for como a Igreja A? Meditemos sobre isso.

Transparência

Se um irmão da Igreja B tiver um problema, só existe uma maneira de receber oração: terá de revelar seu problema para os irmãos. Suas fraquezas terão de ser expostas. Na Igreja B existe transparência.

A transparência é um remédio maravilhoso para a saúde da Igreja pois combate o orgulho, na medida em que todos percebem que ninguém é inatingível, imune aos males dessa vida. Onde há transparência, o legalismo dificilmente chega. Afinal, como condenar as práticas de um irmão, se todos conhecem os meus erros?

A transparência também ajuda a evitar que práticas pecaminosas ocultas se perpetuem.

Dependência mútua

Diz a história (ou será lenda?) que D. Pedro I bradou às margens do Ipiranga: “Independência OU morte!”. Porém, com relação à Igreja, nosso grito deveria ser: “Independência É morte!”.

Repitamos nosso mantra gospel: a Igreja é um Corpo, um organismo vivo. Corpos só funcionam adequadamente quando os membros dependem uns dos outros.

Muitos cristãos alimentam a tola esperança de fazerem a obra de Deus individualmente, isolados dos demais cristãos. Pensam que podem receber diretamente de Deus tudo o que é necessário para sobreviverem neste mundo e para implantarem o Reino de Deus na Terra. Consideram que sua individualidade é mais importante do que a comunhão. Deveriam, antes, prestar atenção às palavras de Paulo: “Se alguém está convencido de que pertence a Cristo, deveria considerar novamente consigo mesmo...” (2 Coríntios 10:7).

Tudo que estimula a interdependência dos cristãos é bom. Por isso, o comportamento da Igreja B é melhor.

Consequência: amor

Na Igreja B, os irmãos oram com todo fervor pelos problemas dos demais, pois confiam que o Espírito Santo levará os outros irmãos a orarem com igual fervor pelos seus próprios problemas.

Os crentes da Igreja B acordam de madrugada para orar pelos irmãos. Jejuam, buscando respostas de Deus para os problemas dos irmãos. Durante suas jornadas de trabalho, voltam a orar pelos irmãos sempre que se lembram deles. Ficam na expectativa de verem a bênção chegar na vida de seus irmãos e, quando finalmente ela chega, se alegram grandemente.

Essa prática de tomar a causa do próximo como se fosse a sua leva a uma consequência maravilhosa: o amor fraternal. Quando oramos tanto por alguém, aprendemos a amá-lo. E, quanto mais amamos, mais oramos. Então, cumprimos o mandamento de Cristo:

Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. (João 13:34, NVI)

Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente,... (1 Pedro 1:22)

A motivação certa

Qual é a motivação dos cristãos da Igreja A? Por que oram tanto? A resposta é simples. Só há um motivo que pode nos levar a orar 1 hora todos os dias por nós mesmos: a busca por nosso próprio bem estar.

E quanto aos da Igreja B? Por que orar tanto por outros irmãos? A resposta, não tão simples, é esta: porque eles conseguem discernir o Corpo de Cristo. Explico.

Os da Igreja B sabem que são, cada qual, apenas um membro do Corpo de Cristo. A mão pode ser muito saudável, mas se os olhos não funcionam, a mão não tem  nenhum motivo para alegria, pois todo o corpo está cego. É o que Paulo ensina:

De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. (1 Coríntios 12:26)

Então, os da Igreja B compreendem que orarem apenas por si mesmos não é uma opção. Ao contrário, essa prática é uma estratégia diabólica para gerar o adoecimento do Corpo de Cristo. É exatamente por isso que Paulo faz uma seríssima advertência:

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. (1 Coríntios 11:28-30)

Cristãos que se encontram enfraquecidos na fé não têm condição de orar por si mesmos e de se erguerem. Eles dependem espiritualmente dos seus irmãos mais fortes. Mas, o que fazer quando esses irmãos, que poderiam ajudar, oram apenas por si mesmos, sem se preocuparem com a saúde do Corpo de Cristo ou, nas palavras de Paulo, “sem discernir o Corpo de Cristo”? Os fracos e doentes permanecem nessa condição, trazendo doença para todo o Corpo.


Perguntas para reflexão

  1. Todos conhecemos irmãos que passam por terríveis lutas: doenças, problemas na família, no emprego etc. Junto com os demais irmãos do GV, escreva os nomes desses irmãos num papel.
  2. Será que temos perseverado fervorosamente em oração por nossos irmãos que sofrem, como se os seus problemas fossem nossos? Temos nos comportado como os crentes da Igreja A ou como os da Igreja B?
  3. Que tal assumirmos um compromisso de levarmos as cargas de nossos irmãos? O que o Grupo de Vida pode fazer nesse sentido?
  4. Ao ler esse texto, talvez você tenha ficado com a impressão de que é errado orarmos por nós mesmos. Mas Filipenses 4:6-7 nos mostra que não é errado. Então, por que atacamos tanto a Igreja A?
  5. Talvez, depois de ler esse texto, alguém poderia retrucar: "Mas, e se eu começar a orar apenas pelos irmãos, e nenhum irmão orar por mim? Deus vai me abençoar?" Tá ai uma ótima pergunta. Procure respondê-la à luz da Bíblia. Sugestão: comece por Mateus 6:33.

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