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imagem de Flávio Cardoso

Qual é a verdadeira importância do Natal?

Árvore de Natal Lagoa 2009

Nasci e fui criado num lar evangélico. Aos 8 anos de idade, manifestei publicamente minha fé. Aos 10, fui batizado. Embora esteja há tantos anos no meio evangélico, sempre tive dificuldade em responder a esta pergunta. Por mais estranho que possa parecer, a verdade é que o Natal não significava muito para mim até 2 ou 3 anos atrás.

Nós, os protestantes, sempre aprendemos que a coisa mais importante que aconteceu na história foi a morte e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Nossas pregações enfatizam esses aspectos. Sempre nos lembramos das Palavras de Paulo: "E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé" (I Co 15:14). Em função disso, eu pensava mais ou menos assim: se Jesus só tivesse nascido, seria como qualquer outro mestre notável da história: Buda, Maomé, Confúcio etc. De nada teria adiantado. O que realmente importa é a sua ressurreição. Então, por que comemorar seu nascimento.

Para piorar as coisas, eu sempre recebi ensinamentos que enfatizam o quanto as celebrações natalinas foram corrompidas pelo paganismo. Aprendi que árvores de Natal, enfeites, Papai Noel, comilanças, presentes e todo o resto não passam de costumes pagãos que foram assimilados pela Igreja Católica, num claro processo de paganização do verdadeiro cristianismo. Aí, passei a sentir repulsa até mesmo por aquelas mensagens de fraternidade e paz que costumam pulular nesta época e depois desaparecem, pois representam uma paz pagã, sem Cristo entronizado nos corações.

Nestes últimos anos, contudo, minha atitude com relação ao Natal começou a mudar. A razão dessa mudança foi o fato de ter lido bastante acerca de outras tradições cristãs, diferentes da protestante. Descobri que os cristãos ortodoxos, por exemplo, enfatizam um aspecto da Bíblia ao qual nós costumamos não dar muita atenção. E é exatamente esse aspecto que dá ao Natal um significado todo especial. De fato, as comemorações natalinas no oriente cristão são cheias de significado, bem diferentes do que vemos no ocidente.

O nascimento de Jesus é a prova da encarnação do Verbo Eterno. O Deus onipotente, que criou o universo, decidiu se tornar um ser humano. O Deus criador tornou-se parte de sua criação, para todo o sempre. A criação, que havia sido amaldiçoada devido ao pecado de Adão (Gn 3:17), agora se tornou abençoada pela maravilhosa presença de Deus. Se o pecado de Adão foi capaz de transformar o mundo, quanto maior não será a transformação causada pela entrada de Deus no mundo!!! O novo Adão, Cristo, foi o primeiro uma nova raça de homens e mulheres, os quais poderão desfrutar de duas naturezas: a humana e a divina (I Co 15:45, II Pe 1:4).

Algo maravilhoso e definitivo transformou o destino da humanidade. Antes, ela estava definitivamente alienada de Deus. Agora, ela está definitivamente unida a Deus, pois existe um Deus-Homem. O Natal, portanto, representa o evento cósmico que deu início à nossa salvação. “O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Mt 4:16).

Portanto, o Natal deve ser celebrado, por toda a cristandade, como o evento que marca o início de nossa salvação. Ela não começou quando o Senhor foi para o calvário. Ela começou quando ele “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2:7).

Está aí um ótimo motivo para encher minha casa com luzes, no Natal. Para lembrar a mim mesmo, aos meus filhos, e a todo o mundo, que a Luz divina raiou onde antes só havia trevas. Está aí um ótimo motivo para me alegrar junto com meus familiares e amigos.

Se as tradições pagãs do Natal nos incomodam, qual é a melhor maneira de esvaziá-las? É resgatando as verdadeiras tradições cristãs. Não adianta combater as tradições erradas sem ter outras para colocar em seu lugar. Melhor do que banir as árvores de Natal, é mostrar aos nossos filhos porque elas têm luzes: para mostrar que a Luz resplandeceu nas trevas. Melhor do que abandonar os presentes é explicar a todos o maravilhoso presente que Deus deu à criação. Melhor do que resistirmos às comemorações, é dar-lhes o verdadeiro sentido bíblico e cristão.

Um feliz Natal a todos!!!

 

Pr. Flávio Cardoso.

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