evangelismo

imagem de Flávio Cardoso

Pescadores de homens

"Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens." (Marcos 1:17)

O que vem à sua mente quando ouve essas palavras: "pescadores de homens"? Na minha mente, sempre vinha a imagem de algum grande pregador, alguém que levasse muitas pessoas a Jesus. Aquela pessoa cujas palavras seriam quase sempre suficientes para que os ouvintes se arrependessem de seus pecados e aceitassem o senhorio de Cristo em suas vidas. Um tipo de pregador que, na maioria das vezes, conseguiria "arrancar" uma conversão autêntica.

Porém, devemos notar que o maior de todos os pescadores de homens foi o próprio Jesus Cristo. E, de certa forma, o Nosso Mestre não se enquadra exatamente na descrição do parágrafo anterior. Com base no exemplo do Mestre, identificamos ao menos duas características do verdadeiro pescador de homens.

Magnetismo

Jesus era uma pessoa de quem todos queriam estar perto. Estava sempre cercado de religiosos e de leigos, de pessoas tidas por santas e de pessoas consideradas pecadoras, de ricos e de pobres, de velhos, jovens e crianças. Ele não se afastava das pessoas; antes,  procurava juntar-se a elas, fossem quem fossem: prostitutas, pecadores, publicanos, religiosos. Os evangelhos nos mostram Jesus comendo na casa de fariseus e na casa dos detestáveis publicanos.

Ao contrário disso, muitos dos "pescadores de homens" modernos costumam ser pessoas que se recusam a comer com pecadores. Muitos só possuem cristãos em seus círculos. Seu relacionamento com não-cristãos se resume ao estritamente necessário: trabalho e escola. Quando muito, convidam as pessoas para visitarem as reuniões da igreja, no templo ou no Grupo de Vida. Mas, apesar desse comportamento hostil, vivem pregando.

Querido irmão, Jesus vive em nós e deseja se manifestar ao mundo por meio de nós. De nós mesmos, não temos nada que seja especial ou que faça muita diferença na vida das pessoas. Mas Jesus, que vive em nós, é a água para o sedento, é o alívio para o cansado, é a libertação para o cativo, é a paz para o angustiado, é a cura para o enfermo.

Abramo-nos para relacionamentos verdadeiros com pessoas que não conhecem o Senhor. Não devemos tratá-las simplesmente como alvos a serem conquistados, mas como pessoas a serem amadas. A amizade delas é preciosa, quer elas se convertam, quer não. Quando nos abrimos verdadeiramente para relacionamentos sinceros com elas, elas logo percebem que há algo em nós de que elas precisam. Essa é a hora certa de revelarmos Aquele que vive em nós.

É evidente que não poderemos acompanhar nossos amigos não-cristãos em todas as situações e nem frequentar todos os lugares que eles frequentam. Mas, se formos criativos, encontraremos maneiras de nos mantermos próximos deles.

Jesus não ia atrás das multidões: eram elas que sempre o buscavam. Esse mesmo Jesus, que vive em nós, continua a atrair as multidões. Elas só não conseguirão chegar até Ele se nós as impedirmos, erigindo barreiras que as impeçam de chegar ao Mestre. Que Deus nos livre de fazermos isso!

Mensagem incisiva

Se nos aproximarmos verdadeiramente das pessoas, muitas delas serão atraídas por Jesus Cristo, que vive em nós. Então, chegará a hora de apresentar-lhes a mensagem de salvaçao.

Aqui, mais uma vez, precisamos nos espelhar no Mestre. Sua mensagem de salvação não era suave e nem branda. Aos que o procuravam buscando uma cura ou libertação, Ele sempre atendia sem fazer exigências. Mas aos que pretendiam ter a vida eterna seus termos eram claros e duros: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho" (Marcos 1:15). Há poucas semanas atrás, nós escrevemos sobre isso. Se puder, leia os textos "Jesus, um péssimo evangelista", parte 1 e parte 2.

Então, como falamos na seção anterior, devemos cultivar relacionamentos verdadeiros com todas as pessoas, independentemente de seu credo e de seu comportamento. Devemos fazer o possível para ajudá-las em sua vida, em tudo que estiver ao nosso alcance, para que tenham saúde, bem-estar e paz. Mas, por outro lado, quando  chegar a hora de levar-lhes o evangelho, devemos apresentar a mensagem autêntica de salvação: arrependimento de pecados e submissão ao senhorio de Cristo. O caminho da salvação sempre será estreito.

Muitos, no afã de pescarmos muitas almas, temos diluído a mensagem de salvação, apresentando um falso evangelho, que promete bênçãos e vitórias, exigindo apenas que as pessoas acreditem na verdade, mas sem arrependimento, mudança de atitudes e submissão ao senhorio de Cristo. Na verdade, esse falso evangelho consegue muitos "membros de igrejas" em busca de bênçãos, mas poucos discípulos autênticos.

Onde temos errado?

Eis o segredo para o sucesso na pescaria de almas: relacionamentos verdadeiros e pregação verdadeira.

Muitos falhamos em nossa "pescaria" por cometermos algum desses erros:

Relacionamentos falsos e pregação falsa

Talvez seja esse o quadro mais comum. Crentes que evitam os incrédulos mas, para conseguir "ganhar almas" apresentam um caminho "não tão estreito" para a salvação. Resultado: muitos novos "membros de igreja" e poucos discípulos de Cristo.

Relacionamentos falsos e pregação verdadeira

Os pescadores desse tipo não conseguem pescar quase ninguém. Apesar de evitarem os incrédulos, os crentes se apressam a pregar a dura mensagem de arrependimento. Resultado: nem discípulo, nem "membro de igreja". Os não-crentes, com toda razão, rejeitam o pregador e a pregação. Certamente, devem protestar mais ou menos assim: "O cara nem me conhece e já tá me chamando de pecador!"

Relacionamentos verdadeiros e pregação falsa

Depois que construímos amizades verdadeiras com não-crentes, finalmente chega o dia de apresentar a dura mensagem de salvação. É nesse ponto que precisamos correr um risco: se pregarmos a verdadeira mensagem de salvação, podemos perder a amizade. Então, somos tentados a não pregar ou a pregar o "evangelho do caminho não tão estreito". Resultado: alguns "membros de igreja" e poucos discípulos verdadeiros de Cristo.


Para reflexão em Grupo

  1. Na seção "Onde temos errado?", apresentamos três maneiras de falharmos em nossa missão de pescadores de homens. Você tem cometido ou já cometeu algum desses erros? Compartilhe com seus irmãos.
  2. Algumas vezes o Grupo de Vida faz programações com cunho evangelístico para atrair pessoas. Que tal atraí-las com uma programação SEM CUNHO EVANGELÍSTICO? Isso faz sentido pra você? Que programações seriam essas?

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