graça

A carta de Paulo a Filemon

A carta de Paulo a Filemon é a menor das cartas escritas pelo Apóstolo Paulo. Embora pequenina no tamanho, ela é gigantesca em seu conteúdo. Essa carta nos apresenta, em poucos versículos, um retrato fiel de nossa salvação em Cristo.

A história gira em torno de Onésimo, um escravo que fugiu da casa de seu senhor, Filemon. Preso, esse escravo se torna companheiro de prisão de Paulo e, entre as grades, conhece a verdade do evangelho e a salvação em Cristo. Crente e arrependido de seus atos, ele teme retornar à casa de Filemon e ser castigado pelo que fez. Todavia, diante do que aos olhos humanos seria uma tremenda coincidência, Onésimo descobre que fora apresentado a Cristo pela mesma pessoa que levou seu senhor Filemon aos pés do Senhor.

Paulo então se apresenta como mediador entre Onésimo e Filemon. Paulo solicita que a dívida de Onésimo seja colocada em sua conta, e, assim, intercede a Filemon pelo perdão a Onésimo. Esse fato nos confronta com a verdade de que nossa dívida impagável não foi colocada em nossa própria conta (2 Co 5:19), mas na conta de Cristo (2 Co 5:21), e Ele, com sua morte, riscou o escrito de dívida que era contra nós, quitando completamente nosso débito, creditando em nossa conta sua justiça completa e perfeita (2 Co 5:21) para que nos tornássemos aceitáveis ao Pai.

Todavia, essa pequena carta nos traz uma outra importante lição. Uma tremenda lição sobre a graça divina.

Paulo intercede a Filemon que receba seu filho na fé, gerado entre as algemas. Ao lermos o texto, podemos perceber que Paulo não queria correr qualquer risco, ele não queria deixar a menor possibilidade de que Filemon recusasse seu pedido.

Veja que, para isso, no verso 19, ao afirmar que pagaria todos os débitos de Onésimo, Paulo diz a Filemon: “para não dizer que você me deve a própria vida” (NVI). As palavras do Apóstolo certamente constrangeram Filemon a fazer o bem. Elas o lembraram que, não fosse o amor de Cristo anunciado a Filemon por intermédio de Paulo, ele estaria morto em seus delitos e pecados, e não teria experimentado a graça e a misericórdia do Senhor dos senhores.

Esse episódio nos lembra o texto de Efésios 2:8-9 que nos ensina que somos salvos pela graça, mediante a fé, e isso não vem de nós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie. Deus nos salvou por sua graça e amor. Ele fez tudo por nós, nos concedendo, sem nenhuma contraprestação de nossa parte, o direito de sermos chamados filhos de Deus. Tudo o que fizermos nunca será suficiente para pagar o preço pago por Jesus por nós na cruz do Calvário.

A lembrança de Paulo a seu filho Filemon é a mesma que o Senhor Jesus faz a nós. Em 2 Co 5:14, as Escrituras nos dizem que “o amor de Cristo nos constrange”. Não fosse seu amor e sua misericórdia, certamente estaríamos consumidos e sem vida (Lm 3:22-23).

Tal como Filemon, devemos a Cristo nossa própria vida. Tudo o que fazemos ou que viermos a fazer é pouco diante de tudo o que Ele fez por nós. Por isso, podemos dizer o que nos ensinou Jesus em Lc 17:10: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”.

Tantas vezes, em nossa vida cristã, nos questionamos se já não estamos fazendo demais, ofertando demais, enfim, nos sacrificando demais... Mais um culto, mais uma reunião do grupo de vida, mais um retiro... São as palavras de Paulo a Filemon que nos respondem: “é preciso lembrá-lo de que você me deve a própria vida???”

A palavra, portanto, nos exorta: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Cl 3:23). Todavia, jamais nos esqueçamos de que tudo o que fizermos para Ele será pouco para expressarmos nossa gratidão por tudo o que Ele um dia fez por nós.

Questões para refletir:

  1. Em que a vida de Onésimo se parece com a nossa?
  2. Que reação você imagina que Filemon teve diante do pedido de Paulo?
  3. Você, de alguma forma, se sente constrangido pelo amor e pelo sacrificio de Cristo demonstrado por você na cruz do Calvário?
  4. Como você pensa que deveria reagir diante desse amor?
  5. O fato de que nada que você faz o torna digno da salvação lhe gera um sentimento de conformismo ou um desejo de fazer tudo o que puder para agradecer o amor de Cristo?

Theme by Danetsoft and Danang Probo Sayekti inspired by Maksimer