cruz

imagem de Flávio Cardoso

Alegria e tristeza (final)

Textos bíblicos

  • Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo
    falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas
    lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. O Senhor Soberano é a minha força; ele faz os meus pés como os do cervo; ele me habilita a andar em lugares altos...
    (Habacuque 3:17-19)
  • Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos
    seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer.
    (Dn 3:17-18)
  • Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração. (Rm 12:12)
  • Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo. (Jo 14:27)
  • Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. (Rm 8:37)

A oração de Habacuque

Estamos chegando ao fim dessa sequência de textos que nos abençoaram. Neste último texto, gostaria de fazer uma
síntese de tudo o que discutimos, para que não esqueçamos dos principais ensinamentos.

Você se lembra do desenho dos Smurfs? Eu costumava assisti-lo quando criança. Eles cantavam uma música que dizia: "...o bem vence o mal, espanta o temporal...". Na verdade, há muitos cristãos que têm apostado todas as suas fichas espirituais nessa "verdade" cantada pelos Smurfs. Eles acreditam que, se forem fieis a Deus, se buscarem viver em santidade, Ele os livrará dos problemas. Sua vida será um maravilhoso céu azul, com passarinhos a cantar numa suave e fresca brisa de primavera. Então, os problemas que teimam em acontecer nas suas vidas são interpretados como ataques de Satanás ou como simples resultado de "brechas" na vida espiritual, abertas por comportamento pecaminoso.

É muito fácil pregar aquilo que as pessoas querem ouvir. Nossa sociedade atual é movida pelo consumo e pela competição. Então, se quisermos encher auditórios, basta pregarmos que, se formos fieis, Deus nos fará vencer (competição) e nos encherá com toda a sorte de bens, principalmente os materiais (carros, casas, viagens, festas, roupas, saúde perfeita). Pessoas ávidas por essas coisas mundanas enchem as igrejas achando que Deus é o gênio da lâmpada. Imaginam que o cristão tem que vencer na vida. Se não vence, tem algo de errado com ele.

Na verdade, essas pessoas estão seduzidas por um evangelho muito diferente do pregado por Jesus. Eles estão esperando que Deus cumpra promessas que Ele simplesmente não fez. Ao contrário: Ele nos prometeu que, no mundo, teríamos aflições, seríamos perseguidos por causa da nossa justiça, entregues nas sinagogas e nos tribunais. Jesus, o Deus encarnado, teve sede e fome. Todos os seus apóstolos, à exceção de João, foram martirizados: alguns crucificados, outros decapitados, outros mortos à espada. Foram homens e mulheres que nos ensinaram que devemos perseverar em meio às tribulações, apedrejamentos, açoites, jejuns, fome, frio. Que podemos e devemos nos alegrar nEle, mesmo em meio a tudo isso.

A vitória que Jesus nos assegura não é a da corrida por sucesso material. É a vitória sobre os desejos pecaminosos de nossa carne. É a libertação das ansiedades da vida. É a possibilidade de morrer para este mundo e viver para Deus, pensando constantemente nas coisas que são do alto. A paz que Jesus oferece não é como a paz que o mundo dá. Ele nos dá a paz que vem da morte para nós mesmos, seguida pela ressurreição para Ele. Se você morrer para si mesmo, não mais andará ansioso, magoado, triste ou assustado, pois todos esses sentimenso nocivos provêm de nosso amor próprio; provêm de uma alma que se recusa a morrer.

Por isso, a mensagem central do evangelho é a cruz: "Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor
Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu
para o mundo"
(Gl 6:14).

Só quem passa pela cruz pode desfrutar do poder da ressurreição. Passar pela cruz não é algo prazeroso. Dizer "não" a si mesmo dói muito. Mas, depois que conseguimos mortificar nosso ego, passamos a desfrutar da vida eterna, que vem dEle. Aí sim, começamos a experimentar a verdadeira, inexplicável e duradoura alegria.

Isso não quer dizer que você não deve buscar as bênçãos de Deus. Você precisa de algo? Peça a Deus! Mas, enquanto pede, crendo que Ele é poderoso para lhe dar, mantenha sempre sereno o seu coração. O cristão que alegra o coração de Deus é aquele que mantém em seu íntimo o mesmo pensamento de Habacuque: "Mesmo não florescendo a figueira...".


A lição de Jonas

Finalizando, é preciso estarmos atentos para uma verdade importante. Algumas vezes, nos recusamos a passar pelo sofrimento da cruz. Achamos que é difícil demais dizer "não" aos nossos desejos. Então, acabamos descobrindo que o sofrimento, depois, será bem maior.

Quando Deus ordenou a Jonas que fosse pregar em Nínive, Jonas ficou tremendamente perturbado. Afinal, ele odiava os ninivitas, que eram crueis inimigos de Israel. O verdadeiro desejo de Jonas era que Deus destruísse o povo de Nínive. Para Jonas, pregar para esse povo significava engolir todo o ódio, rancor e orgulho. Significava morrer para si mesmo. Isso era tão dolorido, que Jonas preferiu fugir.

Todos conhecemos a história. A recusa de Jonas em mortificar seu próprio ego acabou lhe causando tremendo sofrimento: três dias sendo lentamente digerido no ventre de um grande peixe, nas profundezas do oceano. Na barriga do peixe, Jonas não estava tomando sua cruz: estava sendo disciplinado por ter-se recusado a tomá-la antes. A situação de Jonas era muito diferente, por exemplo, da situação de Jó, que foi afligido mesmo sem ter pecado.

Então, se estamos passando por tristezas em nossa vida, é preciso discernir: "estou passando por isso porque estou tomando minha cruz, ou porque me recusei a tomá-la antes"?

Muitos são os cristãos que estão no "ventre do peixe" porque não fizeram o "dever de casa" da cruz e acabaram caindo no pecado. Para estes, só restam o arrependimento sincero e a mudança de conduta.


Para reflexão em grupo

  • Compartilhe com seus irmãos os ensinamentos que mais marcaram sua vida nessa série de textos sobre alegria e tristeza;
  • Nosso Senhor nos disse que deveríamos tomar nossa cruz diariamente. Conte a seus irmãos de que forma você tomou ou deixou de tomar sua cruz hoje;
  • Um verso muito citado entre os que pregam o "falso evangelho" é Romanos 8:37, que é citado para "provar" que o crente tem que "vencer na vida". Leiam Romanos 8:35-39 e procurem o verdadeiro sentido da expressão "mais que vencedores".

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